Reino Unido mantém mercado aberto à carne brasileira, mas reforça exigências sanitárias
O agronegócio brasileiro recebeu um sinal positivo do mercado internacional após o Reino Unido decidir manter, por enquanto, as importações de produtos de origem animal do Brasil. A medida contempla carne bovina, carne de frango, ovos e mel, enquanto o governo britânico realiza uma análise técnica independente sobre os sistemas brasileiros de controle sanitário e rastreabilidade.
A decisão britânica ocorre em um momento delicado para as exportações nacionais, especialmente após a União Europeia anunciar a suspensão das compras desses produtos a partir de setembro. Diferentemente do bloco europeu, Londres optou por avaliar de forma própria os procedimentos adotados pelo Brasil antes de tomar qualquer decisão definitiva.
Os números demonstram a importância do mercado britânico para a pecuária brasileira. Em 2025, o Brasil embarcou quase 30 mil toneladas de carne bovina para o Reino Unido, registrando crescimento tanto no volume exportado quanto na receita obtida. Embora o primeiro semestre de 2026 tenha apresentado uma pequena redução na quantidade enviada, o preço médio pago pelos compradores britânicos aumentou significativamente, evidenciando a valorização da proteína brasileira.
Apesar do alívio momentâneo, especialistas alertam que a permanência desse mercado dependerá da capacidade do Brasil em comprovar a eficiência de seus mecanismos de fiscalização sanitária. O principal questionamento internacional não está relacionado à qualidade da carne brasileira, mas à comprovação documental de que toda a cadeia produtiva atende às normas exigidas pelos países importadores.
A União Europeia justificou o bloqueio alegando que o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de determinados antimicrobianos na produção pecuária. Embora o Ministério da Agricultura tenha adotado medidas para restringir parte dessas substâncias, o período de transição concedido às empresas ultrapassa o prazo estabelecido pelos europeus, o que acabou contribuindo para a suspensão das exportações ao bloco.
Outro desafio apontado é o sistema de rastreabilidade dos animais. Para voltar a atender plenamente os mercados mais exigentes, o país precisará demonstrar, de forma detalhada, o acompanhamento de todo o ciclo produtivo, desde a criação até a comercialização, fortalecendo a fiscalização e reduzindo a dependência de autodeclarações dos produtores.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, avaliou que a decisão do Reino Unido representa uma notícia positiva, mas ressaltou que ela não resolve os problemas estruturais enfrentados pelo setor. Segundo ele, o Brasil precisa construir um sistema sanitário sólido e confiável, capaz de atender permanentemente às exigências dos principais mercados internacionais.
Rezende também defendeu uma atuação mais planejada do poder público, com investimentos em fiscalização, rastreabilidade e capacitação dos produtores rurais. Para o dirigente, a previsibilidade nas regras é essencial para que pecuaristas e frigoríficos possam investir com segurança e manter a competitividade da carne brasileira no exterior.
Embora a manutenção das compras pelo Reino Unido represente um importante fôlego para o setor, o cenário reforça a necessidade de aperfeiçoar os controles sanitários e ampliar a credibilidade internacional da produção brasileira. A adoção de políticas permanentes de conformidade poderá ser decisiva para preservar mercados estratégicos e abrir novas oportunidades para o agronegócio nacional.









