Safra de soja 2026/27 começa com produtor de olho nas chuvas

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Safra de soja 2026/27 começa sob atenção redobrada ao clima

A temporada 2026/27 de soja começa a ganhar ritmo no Brasil, mas o produtor ainda depende de um fator decisivo para avançar com as máquinas: a regularidade das chuvas. Em Mato Grosso, principal estado produtor da oleaginosa no país, o fim do vazio sanitário permitiu o início oficial da semeadura nesta segunda-feira (7).

A expectativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) é de que o estado destine aproximadamente 13,05 milhões de hectares à cultura e produza 48,88 milhões de toneladas. Apesar da autorização, a entrada efetiva das plantadeiras nas lavouras deverá ocorrer de maneira gradual, conforme as condições de umidade do solo.

O Paraná foi um dos primeiros estados a iniciar a nova temporada. Desde 1º de setembro, o plantio está permitido na Região 2, que abrange áreas do Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste paranaenses. No Sudoeste do estado, a liberação ocorre em 11 de setembro.

O calendário também avança em outras regiões produtoras. Mato Grosso do Sul terá autorização a partir de 16 de setembro, Goiás em 25 de setembro, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal iniciam a janela em 1º de outubro. Em São Paulo, as datas variam conforme a região.

Mesmo com algumas áreas já liberadas, o plantio nacional ainda está em estágio inicial. Até 3 de setembro, apenas 0,05% da área prevista para a safra brasileira havia sido semeada, com concentração dos trabalhos no Paraná. A evolução das atividades no Centro-Oeste dependerá principalmente da chegada e da continuidade das precipitações.

Produção menor, mesmo com área maior

A projeção para Mato Grosso aponta uma redução na produção em relação ao ciclo anterior. A estimativa de 48,88 milhões de toneladas representa queda de aproximadamente 5,2% diante das 51,56 milhões de toneladas colhidas na safra 2025/26.

O recuo não está relacionado à diminuição da área cultivada. Pelo contrário: a superfície deve crescer cerca de 0,25%, passando de 13,013 milhões para 13,05 milhões de hectares.

O principal impacto está na produtividade. A previsão é de 62,44 sacas por hectare, contra 66,03 sacas obtidas na temporada anterior. Entre os fatores considerados está a possibilidade de distribuição irregular das chuvas, cenário que pode ser agravado pela influência do fenômeno El Niño.

Para o produtor, não basta contabilizar o volume total de chuva. O intervalo entre uma precipitação e outra pode ser determinante. Uma chuva suficiente para iniciar o plantio pode ser seguida por um período seco, comprometendo a germinação e provocando desuniformidade das plantas. Em determinadas situações, isso pode resultar na necessidade de replantio.

Plantar cedo também é uma estratégia

A escolha do momento de semear envolve outro fator importante: o calendário das culturas de segunda safra.

Em Mato Grosso, uma implantação antecipada da soja permite antecipar também a colheita e amplia as possibilidades de implantação do milho ou do algodão dentro de uma janela climática considerada mais favorável.

Por outro lado, iniciar o plantio sem condições adequadas de umidade pode elevar os riscos e gerar gastos adicionais. O agricultor precisa encontrar um equilíbrio entre esperar uma condição mais segura e evitar que o atraso comprometa as culturas que serão cultivadas posteriormente.

Na última temporada, cerca de 1,17 milhão de hectares de milho foram plantados fora da janela considerada ideal em Mato Grosso, mostrando o impacto que eventuais atrasos na soja podem provocar no planejamento agrícola.

Custos aumentam e deixam produtor mais exposto

Além da preocupação com o clima, a nova safra começa em um cenário de maior pressão sobre os custos. Em Mato Grosso, o custo de produção estimado para 2026/27 chega a R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21% em comparação ao ciclo anterior.

Fertilizantes, corretivos e defensivos estão entre os componentes que pesam sobre o orçamento das propriedades.

Outro indicador que merece atenção é o ponto de equilíbrio da atividade, que avançou 9,13%. Na prática, isso significa que o produtor precisa alcançar uma produtividade ou obter um preço maior para cobrir os custos da lavoura.

Nesse contexto, problemas relacionados ao clima podem ter impacto ainda maior na rentabilidade. Uma eventual necessidade de replantio significa novas despesas com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Vazio sanitário protege a próxima safra

O encerramento do vazio sanitário representa a abertura do calendário, mas não significa que o produtor deva plantar imediatamente. A decisão continua dependendo das condições específicas de cada propriedade, principalmente da umidade do solo e da previsão de chuvas.

Em Mato Grosso, o vazio sanitário ocorreu entre 8 de junho e 6 de setembro. Durante esse período, os agricultores precisaram eliminar plantas voluntárias de soja que surgissem nas áreas de produção.

A medida tem como principal objetivo reduzir a sobrevivência e a multiplicação do fungo causador da ferrugem-asiática, uma das doenças de maior importância econômica para a cultura.

A doença pode provocar queda prematura das folhas e prejudicar o desenvolvimento das vagens e o enchimento dos grãos. Em situações severas, os prejuízos à produtividade podem ser expressivos.

A combinação entre vazio sanitário e calendário de plantio também contribui para reduzir o período de permanência da soja no campo e, consequentemente, dificulta a multiplicação contínua do fungo. A estratégia ainda auxilia no manejo da resistência aos fungicidas.

Com a nova temporada oficialmente aberta, produtores mato-grossenses entram novamente em campo diante de uma equação que envolve clima, custos, produtividade e planejamento. As máquinas estão prontas, mas a definição do momento ideal para avançar com o plantio dependerá, principalmente, da regularidade das chuvas.

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Everaldo Mello (MTb 13.655/PR)
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 0013655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 40 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.