Frango registra recuperação nos preços, mas embargos preocupam avicultura

A avicultura brasileira apresentou sinais de recuperação durante outubro, com valorização gradual dos preços do frango vivo e de determinados cortes comercializados no atacado. O movimento positivo está relacionado ao equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno, além do desempenho das exportações. Entretanto, o setor ainda enfrenta desafios decorrentes das restrições comerciais impostas após a identificação de focos da doença de Newcastle em Santa Catarina.

No estado catarinense, três ocorrências da enfermidade foram registradas em granjas comerciais de perus nos municípios de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim. As propriedades afetadas passaram pelos procedimentos de eliminação das aves, higienização e desinfecção. Conforme informações da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), os estabelecimentos permanecem em vazio sanitário, período indispensável para garantir condições adequadas antes de uma eventual retomada das atividades.

As ações de monitoramento também avançaram. As equipes sanitárias finalizaram as inspeções em mais de 2,7 mil propriedades localizadas na área de emergência, entre elas 202 unidades avícolas comerciais. Mesmo com a conclusão dessas etapas, a liberação das exportações depende da avaliação dos países compradores e do cumprimento dos protocolos internacionais de segurança sanitária.

Regionalização sanitária favorece exportações brasileiras

Uma das principais mudanças no cenário comercial ocorreu no final de outubro, quando o México passou a reconhecer a regionalização sanitária brasileira. Com isso, as importações de produtos avícolas provenientes dos demais estados habilitados foram retomadas, permanecendo as restrições direcionadas a Santa Catarina.

A China também adotou medidas limitadas ao território catarinense, permitindo a continuidade das operações comerciais com outras regiões produtoras do Brasil.

O reconhecimento da regionalização representa um avanço importante para a cadeia produtiva, pois impede que problemas sanitários localizados comprometam automaticamente as exportações de todo o território nacional. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) considera esse mecanismo fundamental para reduzir os impactos econômicos de ocorrências sanitárias.

Apesar dos avanços, a avicultura catarinense ainda depende da conclusão dos procedimentos de controle e da aprovação dos resultados pelas autoridades internacionais para recuperar plenamente sua participação nos mercados afetados.

Mercado interno apresenta valorização do frango

No mercado doméstico, as cotações do frango vivo registraram aumentos em diferentes regiões durante outubro. Em São Paulo, o valor do quilo passou de R$ 5,70 para R$ 5,80. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a referência avançou de R$ 5,30 para R$ 5,45. Já em Minas Gerais e no Distrito Federal, os preços subiram de R$ 5,40 para R$ 5,50 por quilo.

Nas áreas de produção integrada do Sul do país, os valores permaneceram sem alterações significativas. Santa Catarina e Rio Grande do Sul mantiveram a referência de R$ 4,75 por quilo, enquanto o Oeste do Paraná registrou R$ 4,65.

É importante destacar que os sistemas de integração possuem características próprias de comercialização e remuneração, não sendo possível comparar diretamente suas referências com os preços praticados no mercado independente.

O segmento de cortes também apresentou avanços. Em São Paulo, o peito congelado passou a ser comercializado a R$ 9,95 por quilo, ante os R$ 9,50 registrados anteriormente. A asa congelada avançou de R$ 12,50 para R$ 13,00, enquanto a coxa permaneceu cotada a R$ 7,80.

Entre os produtos resfriados, o peito passou de R$ 9,60 para R$ 10,05 por quilo. A asa também apresentou valorização, saindo de R$ 12,60 para R$ 13,10.

Embora a recuperação seja observada em diferentes produtos, o movimento não ocorre de maneira uniforme. A capacidade de reajuste ainda está condicionada ao poder de compra dos consumidores. A competitividade da carne de frango diante de outras proteínas, especialmente a bovina, continua sendo um fator importante para sustentar o consumo das famílias brasileiras.

Exportações fortalecem a cadeia produtiva

O comércio internacional permanece como um dos pilares da avicultura nacional. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques brasileiros de carne de frango atingiram 500,3 mil toneladas em setembro, representando crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita das exportações alcançou aproximadamente R$ 5,37 bilhões, considerando a conversão cambial utilizada no levantamento.

No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil exportou 4,42 milhões de toneladas, volume 14% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025. A receita correspondente chegou a cerca de R$ 47,35 bilhões.

Os resultados demonstram a relevância dos mercados externos para o escoamento da produção e evidenciam os possíveis impactos econômicos de eventuais interrupções nas negociações internacionais.

Os dados preliminares de outubro também apontaram crescimento nos embarques de carnes de aves e miudezas. Considerando 16 dias úteis, o volume exportado alcançou 395,7 mil toneladas, com aumento de 14,8% na média diária em comparação com outubro do ano passado.

Planejamento da produção exige cautela

Para os produtores e demais integrantes da cadeia avícola, a continuidade da valorização dependerá de fatores como a manutenção do consumo, o controle da oferta e a preservação dos mercados internacionais.

A programação de alojamento de pintainhos também exige atenção. Um aumento excessivo da produção, sem acompanhamento da demanda, pode gerar pressão sobre as cotações e comprometer a rentabilidade da atividade.

O cenário sanitário de Santa Catarina acrescenta mais um elemento de preocupação ao planejamento do setor. Mesmo com os avanços no combate à doença de Newcastle, a recuperação das exportações não ocorre de forma automática.

A avicultura brasileira encerra outubro com perspectivas de melhora nas cotações e desempenho positivo no comércio exterior. Contudo, a manutenção desse cenário dependerá da estabilidade da demanda, da gestão adequada da produção e da capacidade do país de preservar a confiança dos compradores internacionais.

Fonte: Sou Agro, com informações do Agro+Podcast e da ABPA.