O mercado do boi gordo voltou a ganhar força em abril, alcançando níveis expressivos em termos reais e trazendo um cenário mais positivo para os pecuaristas que atuam na fase de terminação. Mesmo com a valorização contínua do bezerro, a relação de troca apresentou melhora, favorecendo o poder de compra na reposição do rebanho.
De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, a arroba do boi gordo em São Paulo registra média de R$ 363,82 até meados de abril. Esse valor representa um avanço significativo frente ao início do ano e também na comparação anual, considerando os preços ajustados pela inflação medida pelo IGP-DI. Com isso, o mercado se aproxima de máximas históricas reais, refletindo um ambiente de maior firmeza nos preços.
Na reposição, o cenário também é de valorização. O bezerro nelore, especialmente na faixa de 8 a 12 meses, segue em alta consistente, com preços médios acima de R$ 3.300 em abril. Apesar disso, os valores ainda não atingem os recordes históricos observados anteriormente, indicando espaço para ajustes dentro do ciclo pecuário.
Mesmo com esse encarecimento da reposição, o ritmo mais acelerado de valorização da arroba tem beneficiado o terminador. Atualmente, são necessárias cerca de 9,12 arrobas para a aquisição de um bezerro, o melhor patamar dos últimos 12 meses. Esse indicador é fundamental para o produtor, pois quanto menor a quantidade de arrobas exigida, maior é a eficiência na troca e, consequentemente, melhor a rentabilidade potencial da atividade.
Esse movimento é característico do ciclo pecuário, marcado por fases alternadas de oferta e retenção de animais. Após um período de maior disponibilidade para abate, o mercado começa a reagir com redução na oferta e maior sustentação dos preços. Paralelamente, a retenção de fêmeas e a expectativa de recomposição dos rebanhos contribuem para manter a reposição valorizada.
Para o pecuarista, o momento é de oportunidade, especialmente na terminação, que passa a apresentar margens mais atrativas. No entanto, o cenário ainda exige cautela. A volatilidade dos preços, tanto do boi gordo quanto do bezerro, demanda planejamento estratégico na compra de reposição e na definição do momento de venda.
No curto prazo, fatores como o desempenho da demanda interna, o ritmo das exportações e a disponibilidade de animais prontos para abate devem continuar influenciando o mercado. Caso os preços da arroba se mantenham próximos dos níveis atuais, a tendência é de continuidade nas boas margens da terminação, mesmo diante de custos elevados na reposição.









