Estudo revela resistência a antiparasitário contra bicheira em bezerros

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Foto: Divulgação

Estudo aponta resistência a antiparasitário e destaca nova alternativa no combate à bicheira de umbigo em bezerros

A fase inicial da vida dos bezerros exige atenção redobrada dos pecuaristas, especialmente em relação aos cuidados sanitários. Entre os principais desafios enfrentados nas propriedades de cria está a bicheira de umbigo, enfermidade provocada pelas larvas da mosca Cochliomyia hominivorax, que pode comprometer o desenvolvimento dos animais e, em casos mais graves, levar à morte quando não tratada rapidamente.

A infestação ocorre logo após o nascimento, quando a região do cordão umbilical ainda está exposta e atrai a mosca para a deposição dos ovos. Em poucas horas, as larvas começam a se desenvolver e a atacar os tecidos do animal. Se o problema não for identificado e controlado precocemente, podem surgir complicações como infecções bacterianas, endurecimento do umbigo e inflamações articulares, reduzindo o desempenho produtivo dos bezerros e aumentando os prejuízos na fazenda.

Durante décadas, grande parte dos sistemas de produção adotou a doramectina como principal ferramenta preventiva contra a doença. No entanto, o uso contínuo desse princípio ativo favoreceu o surgimento de populações de moscas resistentes, reduzindo significativamente a eficiência do tratamento.

De acordo com estudos científicos realizados no Brasil e na Argentina, essa perda de eficácia já vem sendo observada em diversas regiões produtoras. Especialistas alertam que aumentar a dosagem dos produtos tradicionais para tentar compensar essa resistência pode representar riscos à saúde dos animais, incluindo casos de intoxicação e até mortalidade.

Outro fator que dificulta o controle da enfermidade é o manejo extensivo, comum na pecuária de corte brasileira. Nessas condições, nem sempre é possível identificar rapidamente os primeiros sinais da infestação, permitindo que a doença evolua antes da adoção das medidas corretivas.

Buscando alternativas mais eficazes, pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com a MSD Saúde Animal, realizaram um estudo de campo avaliando o uso da molécula fluralaner na prevenção da bicheira de umbigo.

A tecnologia, utilizada na pecuária bovina desde 2022, possui ação sistêmica e é aplicada sobre o dorso do animal. Nos testes conduzidos pelos pesquisadores com a formulação a 5%, foi registrada uma taxa de proteção preventiva de aproximadamente 96% nos bezerros avaliados, demonstrando elevado potencial para o controle da enfermidade.

Segundo os pesquisadores envolvidos, proteger os animais nos primeiros dias de vida reduz a necessidade de tratamentos posteriores, diminui o uso de antibióticos e contribui para reduzir perdas produtivas durante a fase de maternidade.

Os especialistas reforçam que o avanço da resistência aos antiparasitários torna indispensável a revisão periódica dos protocolos sanitários das propriedades. A orientação de médicos-veterinários, associada à adoção de boas práticas de manejo neonatal e à rotação de princípios ativos, é considerada fundamental para garantir a saúde dos bezerros e preservar a eficiência dos tratamentos disponíveis.