Brasil estuda unificar rastreabilidade da soja e da carne bovina

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Brasil estuda integrar sistemas de rastreabilidade para fortalecer exportações de soja e carne

A adoção de um modelo integrado de rastreabilidade para as cadeias da soja e da carne bovina pode representar um importante avanço para o agronegócio brasileiro, especialmente diante das exigências cada vez maiores dos mercados internacionais. Um estudo divulgado pelo WRI Brasil aponta que a unificação dos sistemas atualmente utilizados no país pode reduzir custos, evitar processos repetitivos de auditoria e aumentar a credibilidade dos produtos nacionais junto a compradores internacionais, como China e União Europeia.

Atualmente, o Brasil conta com diversas ferramentas públicas e privadas voltadas ao monitoramento da produção agropecuária e ao controle ambiental. No entanto, esses sistemas operam de forma independente, utilizando critérios, bancos de dados e métodos de verificação distintos, o que gera dificuldades tanto para produtores quanto para empresas exportadoras.

Segundo o levantamento, essa falta de integração faz com que uma mesma propriedade rural precise fornecer informações semelhantes para diferentes plataformas, além de atender protocolos específicos de compradores, certificadoras e mercados externos. Como consequência, aumentam os custos operacionais, a burocracia e a insegurança sobre quais exigências deverão ser cumpridas para comercializar a produção.

É importante destacar que a proposta apresentada pelo WRI Brasil não possui caráter obrigatório nem altera a legislação vigente. A instituição, que atua como organização independente de pesquisa ambiental, defende apenas a criação de um protocolo técnico capaz de aproximar ferramentas já existentes, sem substituir os sistemas oficiais de fiscalização.

A necessidade dessa integração ganha ainda mais relevância diante da importância econômica das cadeias produtivas envolvidas. Na safra 2025/26, o Brasil colheu mais de 180 milhões de toneladas de soja e mantém posição de destaque como maior exportador mundial do grão. Na pecuária, o país também lidera o comércio global de carne bovina, sustentado pelo maior rebanho comercial do planeta.

Entre os principais destinos dessas exportações está a China, maior compradora dos produtos agropecuários brasileiros. Embora o país asiático ainda não possua uma legislação semelhante à europeia sobre desmatamento, empresas e instituições financeiras chinesas vêm ampliando as exigências relacionadas à origem e à conformidade ambiental das mercadorias adquiridas.

Na União Europeia, as regras já estão definidas por meio do Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que entrará em vigor no final de 2026 para empresas de maior porte. A norma exigirá comprovação de que produtos como soja, carne bovina, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma não tenham origem em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.

Nesse cenário, a rastreabilidade torna-se elemento estratégico. No caso da soja, será necessário comprovar a origem do grão até a propriedade onde foi cultivado, mesmo após sua mistura em armazéns, cooperativas ou tradings. Para isso, a integração de documentos fiscais, cadastros ambientais e registros comerciais poderá facilitar o acompanhamento da cadeia produtiva.

Já na bovinocultura, o desafio é ainda maior devido ao trânsito dos animais entre diferentes propriedades ao longo do ciclo de produção. Embora existam mecanismos como a Guia de Trânsito Animal (GTA) e o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), a identificação individual ainda não contempla todo o rebanho nacional.

O governo federal já iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, cuja execução está prevista até 2032. Enquanto isso, o estudo recomenda que frigoríficos e demais compradores avancem no monitoramento dos chamados fornecedores indiretos, ampliando a transparência da cadeia produtiva antes mesmo da obrigatoriedade da identificação completa dos animais.

Além das exigências ambientais, a carne bovina brasileira também enfrenta desafios sanitários nas negociações com a União Europeia. O bloco europeu cobra garantias relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos durante toda a vida dos animais, tema que segue sendo discutido entre autoridades brasileiras e europeias.

Para os pesquisadores, a integração dos sistemas de rastreabilidade pode contribuir principalmente para atender às exigências ambientais dos mercados internacionais, tornando os processos mais eficientes, reduzindo custos para produtores e fortalecendo a competitividade do agronegócio brasileiro em um cenário de crescente demanda por transparência e sustentabilidade.

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Everaldo Mello (MTb 13.655/PR)
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 0013655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 40 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.