O agronegócio do Paraná segue demonstrando força e capacidade de adaptação, com destaque recente para a cultura da abobrinha, que tem se consolidado como uma atividade relevante em diversas regiões do Estado. Presente em 358 municípios, a produção alcançou em 2024 um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 101,6 milhões, resultado de uma colheita de 50,5 mil toneladas distribuídas em 2,9 mil hectares. Esse desempenho coloca o Paraná na quarta posição entre os maiores produtores do país, respondendo por 9,3% da produção nacional.
A concentração produtiva está fortemente ligada ao Núcleo Regional de Curitiba, responsável por mais da metade da produção estadual. Municípios como Cerro Azul, São José dos Pinhais e Colombo lideram o ranking regional. Em Cerro Azul, localizado no Vale do Ribeira, o cultivo em 250 hectares resultou em 4,8 mil toneladas e gerou R$ 9,5 milhões em VBP, evidenciando a importância econômica da cultura. Outras cidades como Londrina e Maringá também se destacam pela expressiva participação na produção.
Apesar dos bons números, o setor enfrenta desafios climáticos que impactam diretamente o mercado. A estiagem recente reduziu a oferta e provocou aumento nos preços nas Centrais de Abastecimento, com a caixa de 20 quilos da abobrinha atingindo R$ 80,00 — uma alta significativa em relação aos R$ 60,00 registrados anteriormente. A tendência, segundo especialistas, é que os preços permaneçam elevados enquanto persistirem as condições climáticas adversas, mas a expectativa é de normalização a partir do segundo semestre, com a regularização das lavouras.
No segmento de grãos, a soja continua sendo o principal motor das exportações paranaenses. No primeiro trimestre de 2026, o Estado exportou 3,41 milhões de toneladas, gerando US$ 1,47 bilhão em receita. Mesmo com uma leve queda no volume embarcado, houve crescimento de 2% no faturamento, impulsionado principalmente pela demanda da China, que absorve 58% das exportações.
Já o trigo segue um caminho distinto, com foco quase total no mercado interno. A produção de 2,87 milhões de toneladas na última safra foi praticamente toda destinada ao consumo nacional, refletindo a forte demanda da indústria brasileira e a redução da área cultivada. As exportações foram praticamente inexistentes, com apenas um pequeno volume enviado ao exterior, reforçando a tendência de abastecimento interno também para 2026.
No setor de proteínas, a carne bovina brasileira atingiu um marco histórico em março, com 265 mil toneladas exportadas. O Paraná acompanhou esse movimento positivo, embarcando 3,6 mil toneladas e gerando US$ 20,3 milhões em receita. Além do aumento no volume, houve valorização do produto, com o preço médio por quilo subindo de US$ 4,76 para US$ 5,54. Novamente, a China se destaca como principal destino, concentrando 38,5% das compras.
Diante desse cenário, o agronegócio paranaense reafirma sua relevância estratégica, equilibrando desafios climáticos e oscilações de mercado com produtividade, diversificação e forte inserção no comércio internacional.









