Pesquisa brasileira identifica soja mais tolerante a percevejos

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Foto: Larissa Chamma/Fapesp

Pesquisa identifica linhagens de soja mais tolerantes a percevejos

Pesquisadores brasileiros deram um passo importante no desenvolvimento de estratégias mais sustentáveis para o controle de percevejos nas lavouras de soja. Um estudo conduzido por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) identificou quatro linhagens de soja com maior tolerância aos danos provocados pela infestação da praga.

A pesquisa, apoiada pela Fapesp e publicada na revista científica Pest Management Science, avaliou materiais genéticos com diferentes respostas à presença de percevejos. O objetivo foi entender não apenas quais plantas apresentavam melhor desempenho, mas também quais características permaneciam mais estáveis diante de diferentes condições de cultivo.

Testes em ambientes distintos

Os experimentos foram realizados em duas áreas produtoras de soja no estado de São Paulo: a Fazenda Lageado, em Botucatu, e uma estação experimental da Esalq-USP, em Piracicaba. Os locais apresentam diferenças de altitude e condições climáticas, permitindo aos pesquisadores avaliar o comportamento das linhagens em cenários distintos.

Os testes também compararam áreas com e sem aplicação de inseticidas. Para acompanhar a população das pragas, os pesquisadores utilizaram o tradicional método da “batida de pano”, empregado no campo para determinar a quantidade de percevejos presentes na lavoura e indicar a necessidade de controle.

Durante os experimentos, foram encontradas populações das espécies Nezara viridula, Piezodorus guildinii, Diceraeus melacanthus e Euschistus heros. Em determinados momentos, a infestação chegou a cinco percevejos por metro quadrado em Piracicaba e aproximadamente três em Botucatu.

Genética pode ajudar a reduzir dependência de químicos

Um dos principais resultados apontados pelo estudo foi a influência significativa da genética sobre a longevidade das sementes submetidas ao estresse causado pelos percevejos. Já características relacionadas ao vigor inicial apresentaram maior influência das condições ambientais.

Na avaliação dos pesquisadores, esse resultado abre uma possibilidade importante para os programas de melhoramento genético: utilizar características relacionadas à qualidade e à longevidade das sementes como indicadores para selecionar materiais mais resistentes ou tolerantes ao estresse provocado pelas pragas.

Uma semente com maior longevidade e vigor tende a apresentar melhores condições para preservar sua capacidade de germinação e formar plantas mais rapidamente, característica considerada importante para o estabelecimento da lavoura.

Melhoramento não substitui o manejo integrado

Apesar dos avanços, os pesquisadores destacam que a utilização de materiais genéticos mais tolerantes não significa o fim da aplicação de inseticidas. A proposta é integrar diferentes ferramentas de controle para diminuir a dependência dos produtos químicos e utilizá-los de maneira mais precisa.

Nesse modelo, o produtor pode combinar genética, monitoramento da lavoura, controle biológico e aplicação de inseticidas somente quando os níveis de infestação justificarem a intervenção.

A estratégia também pode contribuir para reduzir custos de produção e diminuir impactos ambientais associados ao uso excessivo de defensivos.

Um caminho para a soja do futuro

A descoberta das quatro linhagens representa uma etapa dentro de um processo mais amplo de melhoramento. Ainda são necessários novos estudos e avaliações em diferentes condições de clima, solo e manejo antes que materiais com essas características possam chegar ao mercado como cultivares comerciais.

Mesmo assim, os resultados reforçam a importância da genética como uma das ferramentas para enfrentar problemas recorrentes na produção de soja. Para o produtor, a possibilidade de contar no futuro com sementes capazes de apresentar maior estabilidade diante do ataque de percevejos poderá representar mais uma alternativa para tornar o manejo da lavoura eficiente, econômico e ambientalmente responsável.

O estudo mostra, portanto, que o controle de pragas pode avançar para além da aplicação de produtos químicos, apostando também na própria capacidade genética da planta como parte da solução.

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Everaldo Mello (MTb 13.655/PR)
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 0013655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 40 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.