Paraná encerra período de seca após sequência de chuvas acima da média

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O Paraná não apresenta mais áreas classificadas com algum nível de seca. A mudança está relacionada ao volume de chuvas registrado nos últimos meses, especialmente em agosto, quando precipitações acima da média contribuíram para eliminar a condição de seca fraca que ainda persistia na região Leste do Estado.

 

Os dados fazem parte da atualização de agosto do Monitor de Secas, levantamento coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em parceria com instituições estaduais, entre elas o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

A seca vinha sendo observada no Leste paranaense havia mais de um ano. A partir de maio de 2026, porém, os mapas passaram a indicar uma redução gradual tanto na intensidade quanto na área atingida. Naquele momento, ainda havia registros de seca fraca em diferentes regiões do Paraná, enquanto a condição moderada estava concentrada principalmente no Oeste, Sudoeste e Sul.

Em junho, o cenário apresentou nova melhora. A seca moderada deixou de aparecer nos registros estaduais e a condição de seca fraca ficou restrita a áreas do Leste, Campos Gerais, Sudoeste e parte do Oeste. No mês seguinte, a ocorrência já estava limitada a uma área ainda menor do Leste paranaense.

Agosto teve chuvas expressivas

O comportamento das precipitações em agosto foi decisivo para a mudança no cenário. Entre 47 estações meteorológicas do Simepar com pelo menos cinco anos de histórico, somente três registraram volumes inferiores à média climatológica: Cianorte, Maringá e Apucarana.

Em algumas localidades, agosto de 2026 apresentou o maior volume de chuva para o mês desde o início das séries históricas das estações. Foi o caso de Fazenda Rio Grande, com registros desde 2009; Laranjeiras do Sul, desde 2017; e do Distrito de Horizonte, em Palmas, cuja estação opera desde 2019.

Grande parte da chuva acumulada ocorreu durante a passagem de duas frentes frias. Em municípios do extremo Sul do Paraná, os sistemas provocaram precipitações superiores a 100 milímetros em períodos inferiores a 24 horas.

Para o setor agropecuário, a mudança representa uma alteração importante nas condições de disponibilidade hídrica. A regularização das chuvas contribui para a recuperação dos níveis de umidade do solo e melhora as condições para o desenvolvimento das atividades agrícolas, embora eventos de chuva muito intensa também possam provocar transtornos localizados.

Região Sul também deixa de registrar seca

O cenário favorável não ficou restrito ao Paraná. De acordo com o levantamento, nenhum dos três estados da Região Sul — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — apresentava áreas classificadas com seca no período analisado.

A atuação do fenômeno El Niño contribuiu para aumentar a disponibilidade de calor e umidade na região, favorecendo episódios de chuva mais frequentes e volumosos.

Os efeitos das precipitações também foram observados em outras áreas do país. Houve redução da seca em partes do Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo. Neste último estado, inclusive, deixou de ser registrada a categoria de seca grave.

Cenário ainda é desigual no território brasileiro

Apesar da melhora no Sul, a situação climática brasileira permanece bastante heterogênea. Em diversas áreas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a combinação de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média contribuiu para o avanço ou intensificação da seca.

O Monitor de Secas identificou aumento da ocorrência de seca em áreas de estados como Acre, Alagoas, Amazonas, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí e Roraima.

Também foram observadas novas áreas de seca em partes do Amapá e expansão de áreas classificadas como seca moderada no Amazonas. Na Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Piauí, Rondônia, Sergipe e Tocantins, o levantamento apontou diferentes níveis de avanço da condição de seca.

Monitoramento acompanha impactos no campo

O Monitor de Secas foi criado em 2014, inicialmente com foco no semiárido brasileiro, e passou a ter sua articulação ampliada pela ANA a partir de 2017.

O Simepar participa mensalmente da análise das condições climáticas das regiões Sul e Sudeste. Para isso, são considerados diferentes indicadores, como volumes de precipitação, temperaturas, índices de vegetação, níveis de reservatórios e evapotranspiração.

A cada três meses, o órgão também participa da coordenação da elaboração do mapa nacional de acompanhamento da seca.

O levantamento permite acompanhar a evolução das condições climáticas e seus possíveis reflexos sobre recursos hídricos, agricultura, pecuária e demais atividades que dependem diretamente da disponibilidade de água.