Entidades do agro defendem ação coordenada contra avanço dos javalis

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A expansão dos javalis e javaporcos em áreas rurais brasileiras tem aumentado a preocupação de produtores, pesquisadores e entidades ligadas ao agronegócio. Considerada uma espécie exótica invasora, a presença desses animais vem provocando danos econômicos, ambientais e sanitários, levando representantes do setor a defenderem uma estratégia nacional para o controle populacional.

O tema foi discutido durante o Fórum Javali – Impactos, Estratégias e Ação Coordenada, promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), em parceria com o Senar e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O encontro reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ibama, pesquisadores, produtores rurais e profissionais envolvidos no manejo da espécie.

Informações apresentadas durante o fórum apontam que os javalis já estão presentes em pelo menos 15 estados brasileiros. Em São Paulo, levantamento realizado pela Faesp junto a 76 sindicatos rurais identificou ocorrências em diferentes regiões, com impactos sobre lavouras de grãos, citros, hortaliças e também sobre áreas de nascentes.

Em Minas Gerais, dados do Ibama apresentados pela Faemg indicam registros em 198 municípios. Desse total, 64 foram classificados com prioridade ambiental considerada extremamente alta.

Danos vão além das lavouras

Os prejuízos provocados pelos animais não se limitam à produção agrícola. Ataques e movimentações dos javalis também podem comprometer recursos hídricos, áreas de vegetação e a fauna nativa. Há relatos de destruição de ninhos e predação de filhotes de espécies como ema, perdiz e codorna.

No Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba, produtores relatam impactos significativos. Em Sacramento, por exemplo, a pressão dos animais teria contribuído para uma redução expressiva da área destinada ao cultivo de milho. Em outras regiões brasileiras, são mencionadas perdas que podem chegar a 40% em determinadas culturas.

Outro problema apontado é a capacidade dos javalis de revolver o solo em busca de alimento, formando áreas de lama e alterando cursos de água. Também existe preocupação com acidentes envolvendo animais em rodovias, especialmente em locais onde a população da espécie aumentou.

Preocupação sanitária

Além dos prejuízos econômicos e ambientais, o avanço dos javalis é acompanhado de preocupação relacionada à saúde animal. A espécie pode atuar como hospedeira ou disseminadora de agentes que representam risco à produção pecuária, incluindo enfermidades de importância sanitária, como a Peste Suína Africana.

Durante o fórum, representantes do setor destacaram que ações isoladas de controle podem não acompanhar a velocidade de reprodução e expansão da espécie. Por isso, uma das principais reivindicações é a integração entre União, estados, órgãos ambientais, setor produtivo e instituições de pesquisa.

Quatro pontos são defendidos pelo setor

Ao final do encontro, foi elaborado um documento com quatro diretrizes encaminhadas ao Governo Federal. Entre as propostas estão o reconhecimento da dimensão dos impactos provocados pela espécie, a criação de uma política pública integrada entre diferentes áreas do governo, o uso de informações científicas para monitorar as populações e a redução da burocracia relacionada às autorizações de manejo.

O Ibama também trabalha no desenvolvimento de uma nova plataforma de cadastro, que deverá contribuir para ampliar o conhecimento sobre a distribuição dos animais e auxiliar no planejamento das ações de controle.

Enquanto uma estratégia nacional é discutida, estados também adotam iniciativas próprias. Em Minas Gerais, por exemplo, a Assembleia Legislativa aprovou recentemente um projeto de lei relacionado ao controle populacional dos javalis em território estadual.

Para o setor agropecuário, o desafio é estabelecer um sistema de manejo que permita reduzir os impactos da espécie de maneira coordenada, com respaldo técnico e segurança jurídica, antes que a expansão dos animais provoque prejuízos ainda maiores às atividades rurais e ao meio ambiente.