O monitoramento da cigarrinha-do-milho e a adoção de estratégias adequadas de manejo proporcionaram um impacto econômico estimado em R$ 321,7 milhões para a agricultura de Santa Catarina em 2025. O resultado está relacionado à redução das perdas provocadas pela praga e pelo complexo de enfezamentos e viroses, doenças que comprometem o desenvolvimento das plantas e podem causar quedas expressivas na produtividade.
Os números fazem parte do Balanço Social da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e representam a primeira mensuração do impacto econômico do programa Monitora Milho SC, criado em 2021 para auxiliar os produtores no enfrentamento desse problema fitossanitário.
De acordo com os cálculos apresentados pela instituição, a diferença de produtividade registrada na safra 2024/25 representou um ganho líquido estimado em R$ 1.582,55 por hectare cultivado, considerando o preço médio de comercialização do milho de R$ 1,15 por quilo e os custos adicionais necessários para implementar as medidas de controle.
A cigarrinha-do-milho é considerada uma das principais ameaças à cultura, principalmente por transmitir agentes associados aos enfezamentos e a determinadas viroses. Quando não há estratégias adequadas de manejo, os prejuízos podem comprometer significativamente o rendimento das lavouras e a rentabilidade dos agricultores.
As estimativas da Epagri apontam que a ausência de manejo poderia resultar em uma redução média de 17,5% na produtividade. Em contrapartida, a adoção das técnicas recomendadas esteve associada a um aumento de 21,2% na produção por hectare durante a safra 2024/25, evidenciando a importância do acompanhamento técnico e da tomada de decisões baseada em informações confiáveis.
Monitoramento e pesquisa auxiliam produtores rurais
O programa Monitora Milho SC surgiu durante a safra 2021/22, quando a rápida disseminação da cigarrinha nas lavouras catarinenses provocou preocupação entre agricultores e profissionais do setor. Naquele período, a produtividade média estadual chegou a aproximadamente 5.487 quilos por hectare, uma queda de 29% em comparação com o ano anterior.
Diante desse cenário, a Epagri articulou uma rede de trabalho com instituições públicas e organizações ligadas à cadeia produtiva. Participam da iniciativa entidades como a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), cooperativas, federações representativas dos agricultores e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.
A proposta é transformar os resultados das pesquisas e do monitoramento em orientações práticas para o campo. Dessa forma, os produtores conseguem acompanhar a presença da praga e dos agentes causadores das doenças, utilizando essas informações para planejar as medidas de controle e evitar aplicações desnecessárias de inseticidas.
Segundo a coordenação do programa, o acesso a informações atualizadas contribui para diminuir os riscos da atividade agrícola, melhorar o planejamento das lavouras e proporcionar maior segurança econômica às famílias que dependem da produção de milho.
Tecnologia amplia a precisão das análises
Ao longo de cinco safras monitoradas, a iniciativa analisou quase 10 mil armadilhas e processou aproximadamente 10 mil amostras. Também foram realizadas mais de 33 mil análises laboratoriais por PCR, método utilizado para identificar material genético de organismos e agentes associados às doenças.
A estrutura permitiu consolidar um histórico contínuo sobre a ocorrência da cigarrinha-do-milho e dos patógenos relacionados em Santa Catarina. Nesse período, foram produzidos cerca de 200 informes técnicos, com uma média aproximada de 40 publicações por ano.
A rede de acompanhamento abrange entre 15 e 55 municípios, dependendo da safra e do período analisado. Com o passar dos anos, o programa ampliou sua cobertura territorial, aperfeiçoou os procedimentos laboratoriais e incorporou estudos sobre fatores climáticos, épocas de semeadura e dinâmica populacional da praga.
Os boletins e demais informações técnicas são disponibilizados pela Epagri em seu site e no aplicativo EpagriMob, permitindo que agricultores e profissionais da assistência técnica consultem os dados para orientar suas decisões.
Manejo adequado pode reduzir perdas e fortalecer o agro
O cálculo do impacto econômico levou em consideração as perdas associadas à cigarrinha e aos enfezamentos, o custo adicional do manejo, estimado em R$ 300 por hectare, o preço médio do milho e a área cultivada no estado. Também foram considerados o alcance das tecnologias recomendadas e o trabalho de pesquisa e extensão rural desenvolvido pela Epagri.
Para os profissionais envolvidos, os resultados demonstram que a pesquisa agropecuária pode gerar benefícios concretos quando o conhecimento científico chega ao produtor e é aplicado de acordo com as condições de cada propriedade.
O trabalho dos extensionistas rurais e dos agentes da Cidasc também é considerado fundamental nesse processo, especialmente pela proximidade com as comunidades agrícolas e pelo conhecimento das particularidades regionais.
Com o avanço do monitoramento, a expectativa é ampliar a precisão das recomendações e fortalecer o manejo integrado da cigarrinha-do-milho. A experiência catarinense reforça a importância do investimento em pesquisa, assistência técnica e difusão de tecnologias para reduzir prejuízos, preservar a produtividade e contribuir para a sustentabilidade econômica da agricultura.









