Mercado de suínos vive pressão e preocupa produtores paranaenses

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Foto: Cepea

Suinocultura paranaense enfrenta pressão nos preços, apesar da força nas exportações

A suinocultura brasileira atravessa um período de forte pressão sobre os preços, e o Paraná também sente os efeitos desse cenário. O excesso de oferta de animais, a demanda interna mais fraca e a necessidade de escoamento da produção têm reduzido as margens dos produtores independentes.

Segundo o Cepea, o suíno vivo negociado no Paraná registrou média de R$ 4,76 por quilo em julho de 2026, abaixo dos R$ 6,62 observados em março e dos R$ 7,78 registrados em janeiro. Já em 12 de agosto, a cotação paranaense estava em R$ 4,55/kg, com queda de 2,15% no acumulado do mês.

A situação ajuda a dimensionar o tamanho do desafio enfrentado pelos suinocultores. Em São Paulo, o preço médio de julho ficou em R$ 5,22/kg e o Cepea destacou que o mercado independente paulista chegou a um dos níveis mais baixos de sua série histórica. A combinação entre maior disponibilidade de animais e consumo menos aquecido vem limitando a recuperação das cotações.

No Paraná, porém, o cenário de preços baixos contrasta com a importância e a expansão da atividade. O Estado produziu 1,23 milhão de toneladas de carne suína em 2025 e permaneceu, pelo oitavo ano consecutivo, como o principal fornecedor do produto para o mercado interno brasileiro. Cerca de 990,48 mil toneladas foram destinadas ao consumo nacional.

O mercado externo também representa uma importante válvula de escape para a cadeia paranaense. No primeiro trimestre de 2026, o Estado exportou aproximadamente US$ 132 milhões em carne suína, o equivalente a 11% das exportações paranaenses de proteínas animais no período. Filipinas, Uruguai e Hong Kong estiveram entre os principais compradores.

Os números mais recentes reforçam essa presença internacional. Em março, o Paraná embarcou 21,36 mil toneladas de carne suína, o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica. O volume foi 10,1% superior ao registrado em março de 2025, impulsionado principalmente pelo aumento das compras das Filipinas.

Outro diferencial da suinocultura paranaense está na genética e no status sanitário. Em 2025, o Estado respondeu por 62,1% da receita brasileira com exportação de suínos reprodutores de raça pura, tendo o Paraguai como principal destino. O resultado evidencia a capacidade tecnológica e a qualidade genética desenvolvidas pela cadeia produtiva estadual.

Dessa forma, a suinocultura paranaense vive um momento de contrastes. De um lado, existe uma cadeia estruturada, com produção expressiva, forte participação no mercado nacional, genética reconhecida e presença crescente no comércio internacional. De outro, os produtores enfrentam uma fase de preços comprimidos, que exige atenção aos custos de alimentação, sanidade, mão de obra e comercialização.

Para o produtor independente, a atual conjuntura exige planejamento e controle rigoroso das despesas. Enquanto as exportações ajudam a ampliar os canais de comercialização, a recuperação da rentabilidade dependerá também de um melhor equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno.

O Paraná segue, portanto, como um dos principais protagonistas da suinocultura brasileira, mas enfrenta o desafio de transformar sua capacidade produtiva e sua força exportadora em melhores condições de remuneração para quem está na base da cadeia.