Mercado chinês pode gerar mais de R$ 520 milhões à suinocultura

A suinocultura brasileira ganhou uma nova perspectiva de negócios com a autorização para exportação de miúdos suínos internos ao mercado chinês. A medida pode representar uma receita adicional superior a R$ 520 milhões por ano para o setor e ampliar significativamente o aproveitamento comercial dos animais abatidos.

Entre os produtos contemplados pelo novo protocolo sanitário estão fígado, coração e esôfago. Antes da nova autorização, o Brasil já podia exportar para a China partes externas do suíno, como orelhas, rabos e focinhos, itens que possuem forte demanda entre os consumidores daquele país.

A abertura ocorre em um momento importante para os produtores brasileiros, depois de um período marcado por margens reduzidas e pressão sobre os preços. A China, considerada um dos principais mercados consumidores de miúdos suínos, movimenta cerca de R$ 13 bilhões por ano nesse segmento, o que demonstra o potencial comercial da nova oportunidade.

De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques podem ultrapassar 100 mil toneladas anuais. A possibilidade de direcionar essas partes do animal para um mercado disposto a pagar mais contribui para elevar o valor obtido por suíno abatido, sem necessariamente exigir aumento proporcional da produção.

Inicialmente, 16 frigoríficos brasileiros estão contemplados pela autorização, sendo sete em Santa Catarina, oito no Rio Grande do Sul e um em Mato Grosso. Santa Catarina apresenta uma participação relevante nesse processo, enquanto o reconhecimento sanitário nacional como área livre de febre aftosa sem vacinação ampliou as oportunidades para outros estados.

A estimativa da ABPA aponta que Santa Catarina possui potencial para enviar aproximadamente 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos à China. No Rio Grande do Sul, a capacidade estimada supera 40 mil toneladas por ano.

A nova oportunidade também está relacionada às diferenças nos hábitos alimentares entre os mercados brasileiro e chinês. Partes do suíno que possuem menor valorização ou demanda no mercado nacional podem encontrar compradores no exterior, permitindo que a indústria aproveite de maneira mais eficiente praticamente toda a carcaça.

Além da abertura comercial, o mercado interno também apresentou sinais de recuperação. Segundo levantamento da Safras & Mercado, o preço médio do suíno vivo no Brasil avançou 4,8% em uma semana, passando de R$ 4,81 para R$ 5,04 por quilo.

No atacado, os cortes de carcaça registraram alta de 5,8%, com a média passando de R$ 7,88 para R$ 8,34 por quilo. O preço médio do pernil também subiu, de R$ 9,60 para R$ 9,89 por quilo.

A recuperação das cotações está associada principalmente ao equilíbrio entre a oferta de animais e a necessidade de abate dos frigoríficos. O mercado doméstico também foi favorecido pela maior competitividade da carne suína diante de outras proteínas, contribuindo para melhorar o ritmo de comercialização.

Apesar disso, a recuperação ainda não alcançou de forma uniforme todos os produtores. Nos sistemas de integração, os valores permaneceram praticamente estáveis em diferentes estados, enquanto a valorização foi mais evidente no mercado independente.

As exportações de carne suína continuam exercendo papel importante na retirada de produto do mercado brasileiro. Nos primeiros 13 dias úteis de setembro, o país embarcou 79,39 mil toneladas de carne suína in natura, movimentando aproximadamente R$ 939 milhões.

Para os produtores, entretanto, o cenário ainda exige cautela. A oferta elevada de animais durante agosto pressionou os preços e provocou perdas que ainda precisam ser recuperadas. A abertura do mercado chinês para os miúdos representa uma possibilidade concreta de ampliar a receita da cadeia, mas o impacto sobre os criadores dependerá do início efetivo dos embarques e de quanto dessa valorização será repassada ao longo da cadeia produtiva.

Com a diversificação dos mercados e o melhor aproveitamento da carcaça, a suinocultura brasileira passa a contar com mais uma alternativa para agregar valor à produção e fortalecer sua presença no comércio internacional.