Brasil recebe missão internacional para combater fraudes no azeite de oliva

O mercado brasileiro de azeite de oliva será novamente tema de uma série de ações voltadas à qualidade, à fiscalização e à ampliação do consumo. Entre os dias 12 e 20 de outubro, representantes do Conselho Oleícola Internacional (COI) participam de atividades no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, com foco na capacitação de profissionais, no combate à adulteração e no fortalecimento da cadeia produtiva.

Esta é a terceira visita consecutiva da entidade ao Brasil. A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), dando continuidade a um plano estratégico iniciado em 2024 para estimular o consumo e aprimorar a regulamentação do setor.

Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, a cooperação entre as instituições e os produtores brasileiros está prevista até 2027. O objetivo é acompanhar o crescimento da demanda nacional, melhorar os mecanismos de controle e criar condições para que o mercado se desenvolva com mais transparência e segurança para os consumidores.

Fiscalização e combate às irregularidades

Um dos principais assuntos da programação é o aperfeiçoamento dos procedimentos de avaliação e fiscalização dos azeites comercializados no país. Inspeções do Ministério da Agricultura já identificaram problemas relacionados à classificação dos produtos, incluindo casos em que azeites da categoria virgem foram comercializados com rótulos de extravirgem.

Para enfrentar essas irregularidades, a missão internacional prevê a capacitação de profissionais brasileiros em análise sensorial. Esses especialistas são preparados para avaliar características como aroma, sabor e eventuais defeitos, contribuindo para a identificação correta das categorias e para o trabalho dos painéis oficiais de avaliação.

De acordo com o Ibraoliva, a formação de técnicos qualificados é fundamental para aprimorar os controles, coibir práticas fraudulentas e assegurar que as informações apresentadas nos rótulos correspondam às características reais dos produtos.

Além de proteger os consumidores, o fortalecimento da fiscalização pode beneficiar os produtores que investem em qualidade e seguem as normas estabelecidas para a comercialização do azeite.

Brasil tem espaço para ampliar o consumo

Apesar de ocupar a segunda posição entre os maiores importadores mundiais de azeite de oliva, o Brasil ainda apresenta um consumo por habitante relativamente baixo. Estimativas citadas pelo setor indicam uma média anual entre 400 e 500 mililitros por pessoa, enquanto em alguns países europeus o volume chega a aproximadamente 10 litros por habitante.

Essa diferença demonstra o potencial de crescimento do mercado brasileiro, tanto para os produtos importados quanto para a produção nacional. Com o aumento da conscientização sobre qualidade, procedência e características do azeite, o setor busca conquistar novos consumidores e ampliar a presença do produto na alimentação cotidiana.

O desenvolvimento desse mercado, entretanto, depende também da confiança do consumidor, da transparência nas informações e da garantia de que os produtos comercializados atendam aos padrões exigidos.

Programação reúne especialistas e profissionais do setor

A agenda começou em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com uma recepção voltada a produtores locais. No dia 13 de outubro, a comitiva participa de um encontro técnico em Bagé, reunindo representantes da cadeia produtiva.

Em 16 de outubro, também em Porto Alegre, está prevista a conclusão dos cursos de capacitação, com a entrega de certificados aos novos analistas sensoriais.

Na etapa final, no Rio de Janeiro, serão realizadas duas atividades práticas: em 19 de outubro, uma masterclass direcionada a profissionais de gastronomia e serviços de alimentação; e, no dia 20, uma formação voltada a representantes e compradores do varejo.

Os encontros serão conduzidos por especialistas internacionais, incluindo profissionais da Argentina e do Uruguai, que orientarão os participantes na identificação dos atributos de aroma e sabor que ajudam a diferenciar as categorias de azeite.

A expectativa é que a iniciativa contribua para elevar o padrão técnico do setor, reforçar o combate às fraudes e estimular um crescimento sustentável do mercado de azeite de oliva no Brasil.