ANTT exige cercas e gera reação de produtores rurais

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Imagem: Reprodução Roberto Dziura

Produtores rurais contestam exigência da ANTT para cercamento de rodovias federais

Uma nova determinação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem provocado preocupação e forte reação entre produtores rurais de diversas regiões do Brasil. A medida, formalizada por meio do Ofício Circular nº 2521/2026, estabelece a proibição do cultivo agrícola nas faixas de domínio das rodovias federais concedidas e obriga proprietários de áreas lindeiras a instalarem cercas ao longo dessas faixas em prazo considerado curto pelo setor produtivo.

A decisão afeta diretamente milhares de agricultores que possuem propriedades às margens de mais de 10 mil quilômetros de rodovias federais. O documento foi encaminhado inicialmente às concessionárias e órgãos envolvidos na gestão das estradas, tornando-se amplamente conhecido após manifestações contrárias de entidades representativas do agronegócio.

Entre as principais preocupações está a necessidade de execução de uma ampla operação logística em poucas semanas. Para atender à exigência, seria necessária a instalação de aproximadamente 20 mil quilômetros de cercas, considerando ambos os lados das rodovias. Lideranças rurais afirmam que a disponibilidade limitada de materiais, como arames e mourões, além da escassez de mão de obra especializada, dificulta o cumprimento da determinação dentro do prazo estipulado.

Outro ponto que gera insatisfação é o impacto financeiro sobre os produtores. Historicamente, a utilização dessas áreas era regulamentada por instrumentos específicos, como contratos de permissão e projetos autorizados pelos órgãos responsáveis. Com a mudança, agricultores que incorporavam essas faixas ao planejamento de suas lavouras terão de reorganizar suas atividades e ainda arcar com custos adicionais para adequação às novas regras.

Entidades do setor, incluindo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), já encaminharam pedidos de revisão ao Ministério dos Transportes e à própria ANTT. As organizações argumentam que a medida cria insegurança jurídica ao alterar acordos anteriormente vigentes e transfere ao produtor responsabilidades que tradicionalmente estavam vinculadas à administração e à segurança das rodovias.

O receio é que, sem uma flexibilização dos prazos ou a criação de um período de transição, muitos proprietários rurais sejam alvo de notificações e penalidades logo após o vencimento da exigência. Até o momento, não há indicação de que o governo federal pretenda alterar o cronograma estabelecido, mantendo o setor agropecuário em estado de atenção e mobilização.

A discussão evidencia o desafio de conciliar segurança viária, gestão das rodovias e a realidade operacional do campo. Para representantes do agronegócio, qualquer mudança dessa magnitude exige planejamento, diálogo e prazos compatíveis com a capacidade de adaptação dos produtores rurais.

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Everaldo Mello (MTb 13.655/PR)
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 0013655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 40 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.