Hoje, 15 de outubro, é celebrado o Dia Internacional da Mulher Rural, uma data que merece muito mais do que uma simples menção no calendário. Merece reconhecimento, respeito e, principalmente, visibilidade para milhares de mulheres que fazem a diferença diariamente no campo brasileiro.
E aqui fica uma reflexão importante, especialmente para nós, que trabalhamos com a comunicação e o jornalismo do agronegócio: onde está a valorização da mulher rural quando chega o dia dedicado a ela?
Falamos frequentemente sobre a força do agronegócio, os recordes de produção, as exportações, a tecnologia, as máquinas e a produtividade. Tudo isso tem sua importância. Mas precisamos perguntar: será que estamos dando a mesma atenção às mulheres que estão por trás dessa produção?
A mulher tem um papel fundamental no setor agropecuário. Ela está na agricultura familiar, no cultivo de hortaliças, na produção de leite, na criação de animais, na colheita, na administração das propriedades, na pesquisa, na assistência técnica, na gestão das empresas rurais e em tantas outras atividades que movimentam a economia do campo.
Muitas dessas mulheres começam a trabalhar antes mesmo de o sol nascer. Enfrentam o frio, o calor, a chuva, as dificuldades financeiras e a falta de estrutura. Conciliam o trabalho na propriedade com as responsabilidades familiares e, muitas vezes, ainda precisam lutar pelo reconhecimento da própria capacidade de tomar decisões e conduzir um negócio rural.
Na agricultura familiar, essa realidade é ainda mais evidente. São mulheres que plantam, cuidam da terra, produzem alimentos e contribuem diretamente para que frutas, verduras, leite, feijão e tantos outros produtos cheguem à mesa das famílias nas cidades.
Por trás de muitos alimentos que consumimos diariamente, existe o esforço de uma mulher rural cuja história nem sempre aparece nos jornais, nos portais especializados ou nos programas de comunicação do agronegócio.
E é justamente nesse ponto que precisamos fazer uma crítica jornalística.
Quando chega a hora de falar sobre a valorização feminina, muitas instituições, empresas e organizações destacam a importância da participação das mulheres no agro. Porém, quando chega uma data como esta, a divulgação e o reconhecimento nem sempre recebem a mesma atenção que outras pautas do setor.
É claro que existem empresas, entidades e profissionais que reconhecem e valorizam essas mulheres. Mas ainda precisamos avançar para que essa homenagem não fique restrita a algumas publicações isoladas ou a uma mensagem protocolar nas redes sociais.
Valorizar a mulher rural não pode ser apenas um discurso bonito. Precisa ser uma prática diária, inclusive na comunicação do agronegócio.
E essa valorização deve ir além de uma homenagem. Significa ampliar o espaço para que essas mulheres contem suas histórias, mostrar seus desafios, divulgar seus resultados e reconhecer sua participação nas decisões que envolvem a produção agropecuária.
Também significa defender mais acesso à assistência técnica, ao crédito rural, à capacitação, à tecnologia e às oportunidades de crescimento, especialmente para as mulheres que vivem e trabalham na agricultura familiar e nas comunidades rurais.
Hoje, 15 de outubro, também é comemorado o Dia do Professor. São duas datas que nos convidam a refletir sobre pessoas fundamentais para a sociedade: quem contribui para a formação do conhecimento e quem trabalha para garantir a produção de alimentos.
Mas uma data não deve apagar a outra. A mulher rural merece seu espaço, sua homenagem e sua visibilidade.
Por isso, fica aqui um conselho para as empresas do agronegócio, as cooperativas, as entidades representativas, os sindicatos rurais, os veículos de comunicação e todos aqueles que defendem o fortalecimento do setor: não deixem passar uma data como esta sem reconhecer quem também constrói a força do agro brasileiro.
E nós, do jornalismo rural, precisamos fazer a nossa parte. Não basta noticiar o preço da soja, a cotação do milho, o valor do leite ou os números da safra. Também precisamos contar as histórias de quem produz, de quem enfrenta dificuldades e de quem merece ser reconhecido.
Neste Dia Internacional da Mulher Rural, deixo minha homenagem a todas as mulheres do campo, da pequena propriedade à grande produção, da agricultura familiar à gestão das grandes empresas agropecuárias.
Mulheres trabalhadoras, batalhadoras e guerreiras, que ajudam a movimentar a economia, fortalecem suas famílias e contribuem para alimentar o Brasil.
Porque reconhecer a força do agronegócio sem reconhecer a força das mulheres que fazem parte dele é contar apenas uma parte dessa história.
Parabéns a todas as mulheres rurais! Que o reconhecimento não aconteça somente hoje, mas durante os 365 dias do ano.
Essa é a reflexão e a homenagem do Agro+ Podcast a todas vocês que fazem do campo um lugar de trabalho, resistência, produção e esperança.









