Tornado provocado por supercélula causa destruição e deixa feridos no Rio Grande do Sul
Um tornado atingiu municípios da região noroeste do Rio Grande do Sul no fim da tarde de terça-feira (28), provocando destruição, deixando feridos e mobilizando equipes da Defesa Civil. O fenômeno foi associado à formação de uma supercélula de tempestade, considerada uma das estruturas meteorológicas mais intensas e com maior potencial para gerar eventos extremos.
As cidades de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho estiveram entre as áreas afetadas. Em Sete de Setembro, duas residências foram completamente destruídas e três pessoas precisaram de atendimento médico após sofrerem ferimentos. Já em Giruá, diversas comunidades registraram prejuízos significativos, incluindo Rincão dos Coimbras, Rincão dos Mellos, Rincão dos Ribeiros, Amaral e Melgarejo. Além dos danos em propriedades, houve queda de árvores e pelo menos quatro moradores ficaram feridos.
Segundo informações da Defesa Civil, o tornado se formou por volta das 18h25, impulsionado por uma supercélula, sistema atmosférico caracterizado pela presença de uma corrente ascendente em rotação, conhecida como mesociclone. Esse tipo de tempestade reúne condições favoráveis para produzir ventos extremamente fortes, granizo de grande porte e elevada incidência de descargas elétricas.
Moradores registraram o momento em que o funil tocou o solo e avançou sobre áreas urbanas e rurais. As imagens divulgadas mostram a intensa circulação do tornado sob uma grande formação de nuvens, evidenciando características típicas de uma supercélula, como a presença de uma nuvem-parede (wall cloud), estrutura frequentemente associada à formação de tornados.
Especialistas explicam que as supercélulas diferem das tempestades convencionais por sua organização e duração. Enquanto uma tempestade comum costuma perder força rapidamente, esse tipo de sistema pode permanecer ativo por várias horas e percorrer longas distâncias, aumentando o potencial de causar danos significativos.
A formação de uma supercélula depende da combinação de atmosfera instável, grande disponibilidade de umidade e forte cisalhamento do vento, fenômeno que representa a variação da velocidade e da direção dos ventos em diferentes altitudes. Essas condições favorecem o desenvolvimento da rotação da corrente ascendente, permitindo que a tempestade mantenha sua intensidade e, em alguns casos, dê origem a tornados.
Embora nem todas as supercélulas produzam tornados, os eventos mais intensos registrados no mundo costumam estar associados a esse tipo de tempestade. Quando o ambiente atmosférico apresenta forte instabilidade e elevado cisalhamento dos ventos, o risco de formação desses fenômenos aumenta de maneira significativa.
As equipes da Defesa Civil seguem realizando levantamentos para avaliar a extensão dos prejuízos e prestar assistência às famílias atingidas. O monitoramento das condições meteorológicas permanece intensificado, já que novas tempestades severas podem ocorrer em situações semelhantes.









