O Governo do Estado de São Paulo deu um passo relevante na proteção de uma das espécies mais emblemáticas da flora nacional ao lançar um edital inédito voltado à conservação da araucária. A iniciativa prevê o pagamento de até R$ 36 mil para produtores rurais e até R$ 250 mil para organizações que atuem diretamente na preservação do pinheiro-brasileiro, espécie ameaçada de extinção.
Coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, por meio da Fundação Florestal, o programa faz parte do chamado Pagamento por Serviços Ambientais (PSA Araucária). A proposta busca unir conservação ambiental com geração de renda, incentivando produtores e entidades a adotarem práticas sustentáveis, como o plantio de mudas, a restauração de áreas degradadas e o manejo consciente da espécie.
O anúncio foi realizado em Cunha, município que se destaca como o principal polo produtor de pinhão no estado. Nos últimos anos, a região registrou uma colheita superior a mil toneladas da semente, reforçando a importância econômica da atividade para as comunidades locais. Para 2026, a expectativa é manter números expressivos, consolidando o pinhão como fonte de renda para muitos agricultores familiares.
Além de seu valor econômico, a araucária possui papel fundamental no equilíbrio ecológico da Mata Atlântica. No entanto, fatores como a exploração ilegal e as mudanças climáticas têm reduzido drasticamente sua área de ocorrência, com projeções preocupantes para as próximas décadas. Diante desse cenário, o edital surge como uma estratégia para reverter esse processo, estimulando o cultivo e a preservação da espécie em propriedades rurais.
O programa também fortalece o conceito de bioeconomia, ao incentivar o uso sustentável dos recursos naturais sem a necessidade de derrubada das árvores — prática altamente restrita. A coleta do pinhão, por exemplo, é permitida e valorizada como alternativa econômica viável e ambientalmente correta.
A fase inicial do projeto será implementada na zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Cunha, área estratégica que concentra a maior parte da produção de pinhão no estado. A escolha do local considera tanto a presença significativa da espécie quanto o potencial de expansão de práticas sustentáveis.
Podem participar do edital produtores rurais — especialmente pequenos agricultores e famílias do campo — além de organizações da sociedade civil com atuação comprovada na área ambiental. Entre os requisitos estão a regularização do imóvel rural, inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e apresentação de documentação pessoal e comprovação de vínculo com a propriedade.
Mais do que um incentivo financeiro, o PSA Araucária representa uma mudança de abordagem na conservação ambiental, ao integrar desenvolvimento econômico e preservação dos recursos naturais. A expectativa é que a iniciativa não apenas contribua para salvar a araucária da extinção, mas também fortaleça a identidade cultural e produtiva das regiões onde o pinhão faz parte da história e da subsistência das famílias.









