Setor de máquinas enfrenta retração e vê cenário mais difícil

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Imagem: Forbes Brasil

Indústria de máquinas enfrenta retração e reduz expectativa para 2026

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos segue enfrentando um cenário de dificuldades em 2026. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apontam nova queda nas vendas do setor em abril, levando a entidade a revisar suas projeções para o ano.

De acordo com o levantamento, a receita líquida de vendas alcançou R$ 21,3 bilhões em abril, resultado 14,9% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o faturamento somou R$ 83 bilhões, representando retração de 12% em comparação ao mesmo intervalo de 2025.

Diante desse desempenho, a Abimaq alterou sua estimativa para 2026. A previsão anterior indicava crescimento de 0,7%, mas agora a expectativa é de queda de 2,3% nas vendas do setor ao longo do ano. Segundo a entidade, o ambiente econômico continua desafiador e afeta diretamente os investimentos produtivos.

A diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, Cristina Zanella, destacou que alguns segmentos da economia apresentaram resultados abaixo do esperado. Já o presidente da entidade, José Velloso, afirmou que os elevados juros, as incertezas econômicas globais e o cenário político nacional contribuem para a piora das perspectivas.

O mercado interno foi um dos mais impactados. As vendas domésticas de máquinas e equipamentos recuaram 26,6% em abril na comparação anual, totalizando R$ 13,9 bilhões. O consumo aparente do setor também registrou forte retração, caindo 20,6% e fechando o mês em R$ 27,8 bilhões.

Segundo a Abimaq, a desaceleração está diretamente ligada ao enfraquecimento das atividades agrícolas e da indústria de transformação, setores que dependem de investimentos constantes e que vêm sendo prejudicados pela manutenção das taxas de juros em níveis elevados.

Na contramão do mercado interno, as exportações apresentaram desempenho positivo. Em abril, os embarques de máquinas e equipamentos somaram US$ 1,47 bilhão, crescimento de 42,7% em relação ao mesmo mês de 2025 e avanço de 43,1% sobre março deste ano. A entidade ressalta, porém, que parte desse aumento se deve à base de comparação mais fraca registrada no ano passado, especialmente nos Estados Unidos, principal destino dos produtos brasileiros do segmento.

As importações também cresceram, alcançando US$ 2,6 bilhões em abril, alta de 1,8% na comparação anual. Enquanto isso, o nível de utilização da capacidade instalada das indústrias subiu para 78,9%, acima dos 77,5% observados no mesmo período do ano anterior.

Outro indicador acompanhado pelo setor, a carteira de pedidos, registrou nove semanas de produção contratada, volume 4,1% menor do que o observado em abril de 2025.

Além das preocupações econômicas, a Abimaq demonstrou apreensão em relação às discussões no Congresso Nacional sobre o possível fim da escala de trabalho 6×1. Segundo José Velloso, determinados segmentos industriais podem encontrar dificuldades para se adaptar às mudanças propostas, já que a realidade operacional varia significativamente entre os diferentes setores da economia.

O cenário traçado pela entidade reforça os desafios enfrentados pela indústria de máquinas e equipamentos, especialmente em um contexto de crédito caro, investimentos reduzidos e incertezas que continuam impactando a atividade produtiva brasileira.