A produção brasileira de trigo deverá registrar uma redução significativa em 2026. De acordo com a estimativa mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve colher aproximadamente 5,7 milhões de toneladas do cereal, volume 27,1% inferior ao registrado na temporada anterior.
A retração está relacionada principalmente à diminuição da área destinada ao cultivo e à expectativa de menor rendimento das lavouras. Segundo a projeção, o trigo ocupará cerca de 1,9 milhão de hectares, uma redução de 21,2%. Já a produtividade média deve ficar próxima de 2,9 mil quilos por hectare, queda estimada em 7,5%.
Com a semeadura já encerrada nas principais regiões produtoras, o cenário passa a depender do comportamento das lavouras durante o desenvolvimento e da influência das condições climáticas. O Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, tem papel importante na definição do resultado da safra brasileira.
Além dos fatores relacionados ao clima, o cenário econômico também pesa sobre a decisão dos agricultores. Os preços recebidos pelos produtores nos últimos anos vêm sendo considerados pouco atrativos diante dos custos envolvidos na produção, enquanto parte dos agricultores enfrenta dificuldades financeiras e níveis elevados de endividamento.
Outro elemento de atenção é a possibilidade de influência do El Niño sobre o clima. A perspectiva de mudanças no regime de chuvas e de ocorrência de condições adversas aumenta a preocupação dos produtores no momento de planejar o cultivo.
A redução da oferta nacional também levanta dúvidas sobre os efeitos para a cadeia do trigo, especialmente para a indústria de moagem e para produtos derivados, como farinha, massas e pães. No caso do pão francês, entretanto, a diminuição da produção brasileira não significa necessariamente uma alta automática e proporcional ao consumidor.
O Brasil possui forte dependência de trigo importado para complementar o abastecimento interno. Por isso, preços internacionais, câmbio, custos de importação e disponibilidade do cereal em outros países também participam da formação dos preços ao longo da cadeia.
Os dados da Conab mostram, portanto, um ano de maior atenção para a triticultura brasileira. Com menor área cultivada e expectativa de produtividade mais baixa, o desempenho da safra será acompanhado de perto pelo setor, principalmente diante da necessidade de garantir o abastecimento e preservar a rentabilidade dos produtores.









