Uma mudança no manejo da adubação vem trazendo resultados expressivos para a produção de cebola em Santa Catarina. Após duas décadas de pesquisas, orientação técnica e incentivo ao uso equilibrado de nutrientes, produtores do estado conseguiram diminuir em 40% a quantidade de fertilizantes utilizados nas lavouras. A iniciativa também contribuiu para uma economia estimada em R$ 62,47 milhões.
O trabalho foi desenvolvido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), depois que pesquisadores identificaram, no início dos anos 2000, um consumo excessivo de fertilizantes nas plantações. Na época, a concorrência com a cebola importada da Argentina levou muitos agricultores a aumentar as doses de adubação na tentativa de elevar a produtividade.
Entretanto, o excesso de nutrientes, especialmente de nitrogênio, acabou provocando consequências negativas. Entre os problemas identificados estavam o aumento de doenças nas folhas, maior incidência de problemas bacterianos e fúngicos, comprometimento da qualidade dos bulbos e perdas durante o armazenamento e a comercialização.
Diante desse cenário, a Epagri intensificou os estudos para estabelecer recomendações mais precisas de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), considerando as necessidades de cada fase de desenvolvimento da cultura. A orientação passou a priorizar a quantidade correta de fertilizantes, o momento adequado de aplicação e o parcelamento da adubação.
Os resultados demonstram a importância da assistência técnica no campo. Conforme levantamento apresentado pela instituição, a redução no consumo de fertilizantes chegou a 40% ao longo de 20 anos. O custo médio de produção da cebola diminuiu 10%, enquanto as perdas no período pós-colheita tiveram redução de 21,4%.
Outro avanço importante foi a adesão dos agricultores às recomendações técnicas. Atualmente, aproximadamente 90% dos produtores catarinenses seguem as orientações de manejo nutricional difundidas pela empresa.
A transformação também pode ser observada dentro das propriedades rurais. Em Aurora, o produtor Vanderlei Schmitt adotou as recomendações da Epagri em 2021 e percebeu melhorias no desenvolvimento das plantas e na conservação da cebola armazenada. Na safra 2025/26, sua propriedade alcançou uma produção de 176 toneladas em quatro hectares.
Em Ituporanga, outro exemplo mostra como a orientação técnica pode contribuir para melhorar a rentabilidade. O agricultor Renato da Silva, que durante muitos anos manteve práticas tradicionais de adubação, decidiu rever o manejo em 2022, principalmente diante do aumento dos preços dos fertilizantes.
Com a mudança, a quantidade utilizada na propriedade caiu de 150 para 90 sacas de 50 quilos. Mesmo com a redução dos insumos, o produtor alcançou 273 toneladas na última safra, com produtividade de 39 toneladas por hectare, resultado superior à média estadual de 28,841 toneladas por hectare registrada na safra 2024/25.
Os números reforçam que produzir mais não significa necessariamente utilizar mais fertilizantes. O planejamento da adubação, a análise do solo e o acompanhamento de profissionais especializados podem fazer diferença tanto na produtividade quanto no controle dos custos.
A experiência catarinense também evidencia o papel da pesquisa agropecuária e da extensão rural na construção de uma agricultura mais eficiente. Além de reduzir despesas, o uso equilibrado de nutrientes contribui para preservar a qualidade do solo, melhorar a sanidade das plantas e diminuir desperdícios ao longo da produção.
O resultado deixa uma importante lição para o agronegócio: tecnologia, conhecimento e manejo adequado são ferramentas fundamentais para aumentar a eficiência no campo e garantir melhores resultados ao produtor rural.










