Maçã brasileira recupera espaço no exterior e exportações avançam mais de 220%
Depois de enfrentar duas safras prejudicadas por eventos climáticos, a cadeia brasileira da maçã começa a dar sinais claros de recuperação. No primeiro semestre de 2026, os embarques da fruta ao mercado internacional cresceram mais de 220% em volume, segundo informações da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM).
O resultado está relacionado principalmente à retomada da produção nacional, que voltou a níveis mais próximos da normalidade após perdas registradas em anos anteriores. Além da recuperação das lavouras, o setor também vem ampliando a área cultivada e adotando tecnologias que contribuem para elevar tanto a produtividade quanto a qualidade das frutas.
As dificuldades enfrentadas anteriormente tiveram forte relação com eventos climáticos. Chuvas intensas, especialmente no segundo semestre de 2023 e em maio de 2024, provocaram perdas significativas nos pomares e reduziram a oferta brasileira.
Com a recuperação da produção, o Brasil conseguiu aumentar sua presença no comércio internacional. O desempenho poderia ter sido ainda maior, segundo representantes do setor, diante dos impactos provocados pelas tensões e conflitos internacionais que afetaram algumas rotas e mercados consumidores.
Primeiro semestre é estratégico para exportações
O período entre janeiro e junho possui uma característica importante para os produtores brasileiros. É justamente quando ocorre a entressafra nos principais países produtores do Hemisfério Norte, que concentram cerca de 90% da produção mundial de maçãs.
Essa janela favorece a entrada da fruta brasileira no mercado internacional e cria oportunidades para ampliar as vendas externas.
Apesar do crescimento expressivo das exportações, o mercado doméstico continua sendo o principal destino da produção nacional. Aproximadamente 90% das maçãs produzidas no Brasil permanecem no país, atendendo aos consumidores brasileiros.
Na segunda metade do ano, a estratégia do setor tende a mudar, com maior concentração no mercado interno.
Tecnologia ajuda a elevar produtividade
Outro fator que contribui para as perspectivas positivas é a evolução tecnológica dos pomares. Nos últimos anos, a área cultivada apresentou crescimento próximo de 15%, acompanhada pela adoção de sistemas modernos de plantio e condução das plantas.
Essas ferramentas permitem melhorar o aproveitamento das áreas produtivas e, ao mesmo tempo, trabalhar aspectos relacionados ao padrão e à qualidade das frutas.
Com a expectativa de manutenção de safras maiores nos próximos ciclos, o setor acredita que existe espaço para ampliar ainda mais a participação brasileira no comércio exterior.
A projeção da cadeia é ambiciosa: alcançar aproximadamente 100 mil toneladas de maçãs exportadas por ano.
O cenário mostra que, após um período marcado por perdas climáticas, a produção brasileira de maçãs entra novamente em uma fase de recuperação. Para os produtores, o desafio agora é transformar o aumento da oferta em presença permanente nos mercados internacionais, sem perder espaço no mercado consumidor brasileiro.









