Queijos do Paraná conquistam 667 medalhas e ganham o mundo

Lançamento do Prêmio Queijos do Paraná, com a presença do vice-gevernador Dárci Piana, no Mercado Municipal de Curitiba.

A produção de queijos do Paraná vem conquistando cada vez mais espaço nos principais concursos gastronômicos do Brasil e do exterior. Nos últimos seis anos, o estado acumulou 667 medalhas em premiações nacionais e internacionais, resultado que evidencia o avanço da qualidade dos produtos lácteos, o fortalecimento das agroindústrias familiares e o investimento em assistência técnica no campo.

O desempenho coloca os produtores paranaenses em evidência em um mercado que valoriza não apenas o sabor, mas também a textura, o aroma, a apresentação e os processos de fabricação. Por trás dos resultados, está a combinação entre tradição familiar, aprimoramento técnico e transformação do leite em produtos de maior valor comercial.

Uma parcela importante desse desenvolvimento conta com o acompanhamento do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), órgãos vinculados à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. O trabalho envolve desde os cuidados com os rebanhos e a qualidade do leite até a adequação sanitária, a estruturação das queijarias e a regularização dos empreendimentos.

Queijos paranaenses conquistam o mercado mundial

Entre os destaques está o queijo Passionata, produzido em Toledo, no Oeste do Paraná. Em 2024, o produto alcançou a nona posição entre os dez melhores queijos do mundo no World Cheese Awards, realizado em Portugal, sendo o único representante latino-americano na categoria Super Ouro.

Na edição seguinte, realizada em novembro de 2025, em Berna, na Suíça, outros três queijos de Toledo receberam reconhecimento internacional: Abaporu, Saint Marcellin e Garoa Tropical. A competição reuniu mais de cinco mil produtos avaliados por especialistas de diversos países.

O desenvolvimento desses queijos contou com a parceria entre o IDR-Paraná e o Biopark de Toledo, por meio de iniciativas voltadas à produção de queijos finos. O trabalho busca ampliar o conhecimento dos produtores e incentivar a fabricação de produtos diferenciados, capazes de alcançar mercados mais exigentes.

O Passionata também se destacou no Mundial do Queijo do Brasil, realizado em abril de 2026, em São Paulo, quando conquistou o terceiro lugar. O resultado reforça a presença paranaense entre os produtores de referência no setor.

Assistência técnica fortalece a agricultura familiar

A conquista de medalhas também representa uma oportunidade de crescimento para famílias que encontraram na fabricação de queijos uma alternativa de renda no meio rural. Com orientação especializada, pequenos produtores conseguem aprimorar seus processos, melhorar a qualidade dos alimentos e ampliar as possibilidades de comercialização.

Um exemplo é a Queijaria Vovó Zaine, localizada em Tomazina, no Norte Pioneiro do estado. Desde a abertura do negócio, em 2020, Paulo Henrique da Silva e Camila de Fátima Gonçalves da Silva receberam acompanhamento técnico para estruturar a agroindústria, adequar a produção às exigências sanitárias e organizar a comercialização.

As orientações abrangeram o manejo das pastagens, a alimentação dos animais, a qualidade do leite e a conservação dos produtos. Com as melhorias implantadas, a família aprimorou a fabricação e conquistou medalhas de prata e bronze em duas edições do Prêmio Queijos do Paraná.

Atualmente, a comercialização dos queijos tornou-se a principal fonte de renda da família, que também recebe visitantes interessados em conhecer a produção.

A experiência demonstra como a assistência técnica pode contribuir para transformar uma atividade familiar em um empreendimento estruturado, com melhores condições de competir no mercado.

Regularização abre novas oportunidades comerciais

Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a produtora Janete do Rocio Fila também ampliou as perspectivas de seu negócio após buscar a regularização sanitária da queijaria.

A partir de uma experiência de intercâmbio na Serra da Canastra, em Minas Gerais, ela percebeu a importância de adequar a produção às normas sanitárias. Com o apoio do programa de agroindústria, conseguiu regularizar a atividade e ampliar o valor comercial dos produtos.

O preço do quilo do queijo, que anteriormente era de aproximadamente R$ 40, passou para cerca de R$ 55. A produtora possui cadastro no Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte do Paraná (Susaf-PR) e já conquistou oito medalhas em concursos.

Além dos queijos tradicionais, seu portfólio inclui variedades elaboradas com iogurte natural e versões saborizadas com morango e ameixa.

A regularização representa um avanço que vai além da valorização financeira. Ela também contribui para assegurar condições adequadas de fabricação e segurança dos alimentos oferecidos aos consumidores.

Premiações impulsionam a produção estadual

O reconhecimento dos queijos paranaenses aparece em diferentes competições. No Prêmio Queijos do Brasil, o estado acumulou 667 medalhas ao longo das seis edições realizadas. Somente em 2026, foram 272 premiações, envolvendo produtores de diversas regiões paranaenses.

Já no Mundial do Queijo do Brasil de 2026, o Paraná conquistou 43 medalhas entre os 198 produtos inscritos. Desse total, 26 reconhecimentos foram obtidos por queijarias acompanhadas pelo IDR-Paraná, incluindo duas premiações Super Ouro, dez de ouro, cinco de prata e oito de bronze, conforme o balanço divulgado pelo órgão.

O Prêmio Queijos do Paraná também desempenha papel importante na valorização da cadeia leiteira. Criada para incentivar a qualidade e agregar valor à matéria-prima, a competição registrou 318 queijos inscritos em 2023, com 98 premiados. Em 2025, foram 446 participantes e 75 produtos premiados. A próxima edição está prevista para junho de 2027.

Agroindústrias crescem e ampliam a renda no campo

O avanço das queijarias acompanha a expansão das agroindústrias familiares no Paraná. Dados da Adapar mostram que o número de agroindústrias habilitadas pelo Susaf-PR para comercializar produtos de origem animal passou de 55, em dezembro de 2023, para 173, em maio de 2026.

No mesmo período, a quantidade de municípios integrados ao sistema aumentou de 95 para 207, ultrapassando a meta estadual de alcançar 200 municípios.

No setor de derivados do leite, aproximadamente 85 famílias paranaenses vivem da atividade, enquanto 30 novas queijarias foram implantadas nos três anos anteriores à divulgação dos dados. Parte desses empreendimentos participou das premiações de 2026, demonstrando a aproximação entre o crescimento da produção e a busca por qualidade.

O acompanhamento técnico também tem sido direcionado aos negócios em fase inicial. Enquanto o diagnóstico de 2023 apontava que 26% das agroindústrias atendidas pelo IDR-Paraná estavam nos dois primeiros anos de funcionamento, os dados parciais de 2026 elevaram esse percentual para 35%.

Qualidade que gera oportunidades

O reconhecimento dos queijos paranaenses em concursos nacionais e internacionais mostra que o desenvolvimento da agroindústria vai além da fabricação de alimentos. A atividade pode gerar empregos, fortalecer a agricultura familiar, ampliar a renda das propriedades e estimular o turismo rural.

Com investimentos em conhecimento técnico, regularização sanitária e inovação, produtores conseguem transformar o leite em mercadorias diferenciadas, aumentando seu valor agregado e conquistando novos consumidores.

As 667 medalhas acumuladas nos últimos seis anos simbolizam esse processo de evolução. Para o Paraná, o desafio agora é manter o padrão de qualidade, ampliar o acesso aos mercados e garantir que cada vez mais famílias produtoras possam participar desse crescimento, consolidando o estado como uma referência brasileira na produção de queijos.