Frango chinês até 20% mais barato aumenta disputa com produto brasileiro

A expansão da produção de carne de frango na China está intensificando a concorrência no comércio internacional e acendendo um alerta para o Brasil, um dos principais protagonistas mundiais do setor avícola. Com preços mais competitivos e crescimento nas vendas externas, o país asiático avança sobre mercados tradicionalmente atendidos por exportadores brasileiros e pode alcançar, em 2027, a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais do produto, ultrapassando a União Europeia.

A competitividade do frango chinês já influencia as decisões de empresas que atuam no comércio internacional de carnes. Um exemplo é a Branexx, companhia sediada em Lisboa, Portugal, que passou a adquirir o produto da China em março, após receber solicitações de clientes africanos interessados em alternativas de menor custo.

Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, o presidente da empresa, Ezequiel Pires, afirmou que cortes como peito de frango e quartos de coxa chineses apresentam preços entre 10% e 20% inferiores aos praticados pelos fornecedores brasileiros. A diferença pode representar um fator decisivo para compradores que priorizam preços competitivos, especialmente em mercados nos quais o custo influencia diretamente a escolha dos fornecedores.

Produção chinesa cresce e muda o cenário comercial

O avanço da avicultura chinesa está relacionado, entre outros fatores, à estratégia do governo de fortalecer a segurança alimentar e ampliar a capacidade de abastecimento interno. Entretanto, o crescimento da produção em ritmo superior ao consumo doméstico tem contribuído para a formação de excedentes, estimulando o país a buscar novos compradores no exterior.

Ao mesmo tempo, a China vem reduzindo suas importações de carne de frango. Essa mudança merece atenção do Brasil, que ocupa posição de destaque no fornecimento do produto ao mercado chinês. A combinação entre menor necessidade de compras externas e maior volume de exportações chinesas pode alterar os fluxos comerciais e aumentar a disputa por clientes em diferentes regiões do mundo.

Brasil enfrenta o desafio de preservar sua competitividade

Para o setor avícola brasileiro, o fortalecimento da concorrência chinesa representa um desafio que vai além dos preços. A disputa internacional envolve capacidade produtiva, custos de processamento, logística, acesso a mercados e atendimento às exigências sanitárias dos países importadores.

O Brasil construiu uma posição relevante no comércio mundial de carne de frango, apoiado em sua estrutura produtiva, na disponibilidade de matérias-primas e na experiência exportadora. No entanto, a entrada de fornecedores com preços mais baixos pode pressionar as margens das empresas nacionais e exigir estratégias comerciais mais eficientes.

Outro ponto de atenção é a possibilidade de mudanças na demanda dos compradores internacionais. Caso a China continue ampliando sua presença, países importadores poderão diversificar seus fornecedores, buscando condições comerciais mais vantajosas.

Perspectivas para a avicultura brasileira

O avanço chinês não significa, necessariamente, uma perda imediata de espaço para o Brasil, mas indica um ambiente de negócios mais competitivo nos próximos anos. Para manter sua participação internacional, o setor brasileiro precisará acompanhar a evolução dos custos de produção, investir em eficiência e fortalecer sua presença em mercados estratégicos.

A diversificação dos destinos de exportação também pode ser importante para reduzir a dependência de compradores específicos e ampliar as oportunidades comerciais. Além disso, a qualidade do produto, a confiabilidade no fornecimento e o cumprimento de protocolos sanitários continuam sendo diferenciais relevantes na disputa global.

O cenário aponta para uma transformação no mercado internacional de carne de frango. Com a China ampliando sua produção e buscando novos consumidores, o Brasil terá de reforçar suas vantagens competitivas para preservar sua posição e continuar sendo uma referência no abastecimento mundial de proteína animal.