PALMAS (PR) — O restabelecimento do fornecimento de energia elétrica para três famílias do PA Assentamento Recanto Bonito, em Palmas, chama atenção para uma questão que vai além de uma simples interrupção no serviço: a importância de respostas rápidas e eficientes para quem vive e produz no meio rural.
As famílias estavam sem energia elétrica desde a quinta-feira. Segundo os moradores, os canais oficiais da Copel foram acionados e protocolos foram registrados, mas a demora no atendimento gerou preocupação, principalmente porque, no campo, a eletricidade está diretamente ligada à rotina das famílias e, em muitos casos, à própria atividade produtiva.
A situação chegou ao conhecimento da reportagem do Agro+ Podcast no domingo (13). A partir do relato dos moradores, houve intermediação jornalística junto à Copel, com busca por informações sobre a ocorrência e cobrança por uma posição oficial da companhia.
Na segunda-feira (14), em contato presencial com a Copel, a reportagem teve acesso às informações referentes à ocorrência. Conforme os dados apresentados pela companhia, a Nota de Reclamação Técnica (NRT nº 20265887124104) já havia sido concluída no domingo à tarde, com o restabelecimento do fornecimento de energia.
O caso, portanto, terminou com a normalização do serviço, mas também deixa uma reflexão sobre como as demandas das comunidades rurais são recebidas, encaminhadas e acompanhadas até a solução.
Onde entra o jornalismo?
A atuação jornalística neste caso não significa atribuir à reportagem a execução do serviço ou afirmar que o restabelecimento ocorreu exclusivamente por causa da cobrança. A função do jornalismo foi intermediar a demanda da comunidade, buscar informações junto à empresa responsável e dar visibilidade a uma reclamação que afetava diretamente famílias do campo.
É justamente esse o papel do jornalismo comunitário: ouvir quem enfrenta um problema, procurar os responsáveis, confrontar informações, buscar respostas e acompanhar o desfecho.
E a cobrança ganha ainda mais relevância quando se considera que a própria Copel mantém um programa específico para o atendimento ao setor rural: o Copel Agro.
O que é o Copel Agro?
Criado pela Copel em abril de 2026, o programa foi desenvolvido para oferecer atendimento especializado principalmente a produtores das cadeias de proteína animal e outros consumidores rurais com elevado grau de dependência de energia elétrica.
A companhia informa que o Copel Agro possui uma linha exclusiva, com atendimento humano 24 horas por dia, sete dias por semana, pelo telefone 0800 643 76 76. O programa prioriza o primeiro atendimento em situações de interrupção e prevê acompanhamento das solicitações, inclusive com retorno ao cliente sobre o andamento dos serviços.
Atualmente, segundo a Copel, cerca de 76 mil clientes estão contemplados pelo programa, principalmente das cadeias de peixe, frango, leite, suínos e fumo, desde que enquadrados nos critérios e com a atividade registrada no Cadastro do Produtor Rural (CAD/PRO). A companhia também mantém equipes dedicadas, eletricistas treinados e estrutura própria voltada ao primeiro atendimento no campo.
Em setembro, a Copel informou que, nos primeiros cinco meses de funcionamento, o programa já havia realizado mais de 140 mil atendimentos e reduzido em aproximadamente 12% o tempo médio para religamentos em situações emergenciais, além de registrar índice de satisfação de 95% entre os clientes pesquisados.
Por que a cobrança jornalística é necessária?
A existência de um programa especializado como o Copel Agro aumenta também a expectativa por eficiência no atendimento ao produtor rural.
Uma interrupção de energia no campo pode representar muito mais do que ficar algumas horas sem iluminação. Dependendo da atividade, a falta de eletricidade pode comprometer ordenhadeiras, sistemas de resfriamento de leite, bombeamento de água, equipamentos de produção, instalações de criação de animais e outras estruturas que dependem de fornecimento contínuo.
Por isso, cobrar respostas não significa atacar a Copel. Significa questionar, de maneira responsável, se os canais criados para atender o produtor estão funcionando adequadamente quando uma comunidade precisa deles.
Também é importante destacar que o Copel Agro possui critérios específicos de enquadramento. Portanto, nem toda propriedade ou família rural está automaticamente incluída no atendimento prioritário do programa. A própria Copel orienta os produtores a verificarem e manterem seus cadastros atualizados.
O caso termina, mas a questão permanece
No Recanto Bonito, a energia foi restabelecida e as famílias voltaram à normalidade. O episódio, porém, reforça a necessidade de que moradores de comunidades rurais conheçam seus canais de atendimento, guardem os números de protocolo e acompanhem as solicitações registradas.
Para o jornalismo comunitário, fica também a responsabilidade de continuar fazendo aquilo que é essencial: ouvir a população, buscar os responsáveis, cobrar informações, conferir os fatos e acompanhar a solução.
No campo, onde muitas vezes a distância dos centros urbanos dificulta o acesso aos serviços, dar voz às comunidades rurais também é uma forma de fortalecer a cidadania.
O caso do Recanto Bonito não deve ser tratado apenas como uma reclamação que terminou. Ele serve como exemplo de que, quando um serviço essencial apresenta problemas, comunidade, empresa responsável e imprensa precisam cumprir seus respectivos papéis — com diálogo, informação, cobrança e transparência.









