Seminário em Mato Grosso busca fortalecer a cadeia leiteira e traçar estratégias para retomada do setor
A cidade de Juína, no noroeste de Mato Grosso, será palco, entre os dias 5 e 7 de agosto, do 5º Seminário para Desenvolvimento Agropecuário de Mato Grosso – Bovinocultura de Leite. O encontro reunirá produtores rurais, cooperativas, pesquisadores, técnicos e representantes de órgãos públicos com o objetivo de discutir ações capazes de impulsionar a produção leiteira estadual e construir um plano estratégico voltado ao fortalecimento da atividade.
A realização do evento ocorre em um momento considerado decisivo para o setor. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que Mato Grosso produziu 432,5 milhões de litros de leite em 2024, registrando retração de 5,2% em comparação ao ano anterior. Com esse desempenho, o estado ocupa a 14ª colocação no ranking nacional, respondendo por cerca de 1,2% da produção brasileira.
O cenário contrasta com o desempenho nacional. Em 2024, o Brasil atingiu um novo recorde ao produzir 35,7 bilhões de litros de leite, crescimento de 1,4% sobre o período anterior. A atividade movimentou aproximadamente R$ 87,5 bilhões nas propriedades rurais e reforçou a posição do país como o terceiro maior produtor mundial de leite, presente em praticamente todos os municípios brasileiros.
Outro dado que chama atenção é a redução da captação formal de leite em Mato Grosso. Enquanto o país registrou aumento de 8,5% no volume entregue às indústrias em 2025, o estado apresentou uma das maiores quedas do Brasil, com redução de 13,2 milhões de litros destinados aos estabelecimentos sob inspeção sanitária.
Apesar de liderar o país em rebanho bovino e produção de carne, Mato Grosso ainda enfrenta obstáculos para ampliar sua participação na cadeia leiteira. Entre os principais desafios estão as grandes distâncias entre as propriedades e os laticínios, elevados custos logísticos, deficiência na infraestrutura de resfriamento, escassez de agroindústrias em algumas regiões e dificuldades de acesso à assistência técnica especializada.
Essas limitações afetam especialmente os pequenos produtores e agricultores familiares, que dependem da atividade leiteira como uma importante fonte de renda contínua ao longo do ano. Ao mesmo tempo, a produção exige manejo diário, controle sanitário rigoroso, alimentação adequada do rebanho e infraestrutura capaz de garantir a qualidade do leite até sua coleta.
Durante o primeiro dia do seminário, os debates serão voltados para inspeção sanitária, ampliação de mercados e fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal (SIM). Também será discutida a adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), mecanismo que permite que agroindústrias habilitadas comercializem seus produtos em todo o território nacional.
Essa integração pode representar um importante avanço para pequenas agroindústrias produtoras de queijos, manteigas, iogurtes e outros derivados lácteos, agregando valor à produção e reduzindo a dependência da venda do leite in natura.
A programação do segundo dia destacará temas como cooperativismo, crédito rural, assistência técnica, manejo nutricional, qualidade das pastagens, bem-estar animal, controle da mastite e prevenção da presença de resíduos de antibióticos no leite. Também serão debatidas oportunidades oferecidas pelos programas de compras públicas, que podem ampliar o mercado para cooperativas e agricultores familiares.
Já no encerramento do evento, as discussões estarão concentradas em soluções para melhorar a logística da cadeia produtiva, incluindo transporte, armazenamento, análises laboratoriais e eficiência na captação do leite, fatores considerados fundamentais para reduzir perdas e aumentar a competitividade do setor.
Como resultado dos debates, será elaborado o Plano de Desenvolvimento da Bovinocultura de Leite de Mato Grosso. O documento será estruturado em 11 eixos estratégicos, contemplando áreas como crédito rural, assistência técnica, pesquisa, inovação, sanidade animal, qualidade do leite, logística, agroindustrialização, comercialização e sucessão familiar.
Os organizadores esperam que o plano sirva como referência para orientar políticas públicas e investimentos capazes de modernizar a cadeia leiteira, ampliar a produtividade das propriedades e fortalecer a indústria de lácteos em Mato Grosso nos próximos anos.
O seminário poderá ser acompanhado presencialmente, na Câmara Municipal de Juína, ou de forma virtual, por transmissão ao vivo. Participantes de ambas as modalidades poderão interagir durante as discussões e receber certificado de participação.









