Produtor capixaba cria primeira cultivar de gengibre registrada oficialmente no Brasil
O Brasil acaba de alcançar um marco importante na produção de gengibre. O agricultor Alexandre Lemke Belz, de Santa Leopoldina, na região serrana do Espírito Santo, desenvolveu a primeira cultivar de gengibre oficialmente registrada no país. A nova variedade, denominada Imigrante, apresenta produtividade muito superior à média estadual e promete impulsionar ainda mais o setor.
Enquanto a média de produção de gengibre no Espírito Santo gira em torno de 60 toneladas por hectare, a cultivar Imigrante já demonstrou potencial para alcançar até 145 toneladas por hectare em sistema de cultivo orgânico. O nome escolhido é uma homenagem aos imigrantes que ajudaram a construir e desenvolver a região serrana capixaba, atualmente referência nacional na produção e exportação da raiz.
O trabalho de seleção genética foi resultado de mais de uma década de observações e pesquisas realizadas pelo produtor. Segundo Alexandre, a busca era por plantas mais produtivas e com maior resistência a pragas e doenças, especialmente aos nematoides e à fusariose, um dos principais desafios enfrentados pelos produtores da cultura.
A iniciativa ganhou reforço científico em 2021, quando o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) passou a atuar em parceria com o agricultor. A equipe técnica realizou estudos e testes de campo necessários para atender às exigências do Ministério da Agricultura, possibilitando o registro da cultivar Imigrante e de outras três variedades no Registro Nacional de Cultivares (RNC).
De acordo com a pesquisadora e melhorista de plantas Ana Paula Candido Gabriel Berilli, a parceria integrou o Projeto Fortac, voltado ao fortalecimento da agricultura capixaba. Além do gengibre, o programa também desenvolve ações em culturas como mandioca, banana e pimenta-do-reino. O investimento destinado aos estudos do gengibre foi de aproximadamente R$ 500 mil.
Os testes avaliaram características como anatomia dos rizomas, produtividade e resistência a doenças, validando cientificamente o trabalho desenvolvido pelo produtor ao longo dos anos. O resultado representa um avanço inédito para a cultura do gengibre no Brasil, que até então não possuía cultivares registradas oficialmente.
Agora, o próximo desafio é ampliar a comercialização da nova variedade. As mudas certificadas, livres de doenças, serão disponibilizadas por meio do primeiro viveiro de mudas certificadas de gengibre do país, localizado no Sítio Hort Belz. O viveiro já possui registro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem).
As vendas da cultivar Imigrante terão início em 17 de julho, com preço inicial de R$ 9 por quilo. Neste primeiro momento, a comercialização será limitada a 1.600 quilos por CPF, garantindo que mais produtores tenham acesso à nova tecnologia desenvolvida no campo brasileiro.
Fonte: Globo Rural.








