Senado aprova proposta para renegociar dívidas no campo

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Imagem: Faep

Projeto avança no Congresso e busca aliviar dívidas de produtores rurais afetados por crises climáticas

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O Senado Federal aprovou, no último dia 10 de junho, o Projeto de Lei nº 5.122/2023, que cria mecanismos para facilitar a renegociação de dívidas de produtores rurais prejudicados por eventos climáticos extremos e oscilações de mercado. A proposta segue agora para análise da Câmara dos Deputados e tem como principal objetivo oferecer condições para que agricultores possam recuperar sua capacidade produtiva sem gerar novos custos para os cofres públicos.

De acordo com o texto aprovado, o programa será financiado por recursos já existentes em fundos governamentais e no Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), sem a necessidade de criação de novos impostos ou aumento da dívida pública. O limite financeiro das operações será definido pelo Governo Federal por meio de decreto, permitindo que a abrangência do programa seja ajustada conforme a disponibilidade orçamentária.

Entre as fontes de recursos previstas estão valores do Fundo Social do Pré-Sal, mantendo a exigência de que ao menos metade desses recursos continue destinada à educação. O projeto também autoriza a utilização de saldos não utilizados de fundos vinculados ao Ministério da Fazenda, além de superávits dos Fundos Constitucionais de Financiamento das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, bem como recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

A proposta vem sendo acompanhada de perto pelo Sistema FAEP desde sua apresentação em 2023. A entidade considera a medida fundamental para auxiliar agricultores que enfrentam dificuldades financeiras após sucessivas perdas provocadas por estiagens, enchentes, geadas e outras adversidades climáticas registradas nos últimos anos.

Os números do endividamento rural reforçam a preocupação do setor. Em janeiro deste ano, os saldos considerados problemáticos em operações de crédito rural no Brasil alcançaram R$ 153,6 bilhões. Somente no Paraná, o volume de dívidas chegou a R$ 10,8 bilhões no mesmo período.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o crescimento do endividamento está diretamente relacionado à redução dos recursos destinados ao Seguro Rural, aos impactos dos eventos climáticos extremos e às frequentes crises de preços enfrentadas pelos produtores. Segundo ele, a aprovação do projeto representa uma oportunidade para garantir a continuidade da produção agropecuária e fortalecer a segurança alimentar do país.

Outro ponto importante da proposta é que o risco das operações continuará sob responsabilidade das instituições financeiras, que deverão analisar individualmente a viabilidade de cada renegociação antes da concessão dos benefícios previstos.

Após a aprovação no Senado, estimativas divulgadas pelo Governo Federal apontaram possíveis impactos fiscais variando entre R$ 140 bilhões e R$ 800 bilhões. Em resposta, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com apoio do Sistema FAEP, apresentou um documento técnico defendendo que a estrutura financeira prevista no projeto utiliza recursos já existentes e não compromete o equilíbrio das contas públicas.

A expectativa do setor agropecuário agora se volta para a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados, etapa decisiva para que as medidas possam ser implementadas e beneficiar milhares de produtores rurais em todo o país.

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Everaldo Mello (MTb 13.655/PR)
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 0013655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 40 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.