Câmara avança em lei sobre queimadas no campo

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Relator Dep. Nilton Tatto/ Câmera dos Deputados

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados deu um passo relevante em um tema sensível ao campo: a responsabilização por queimadas em áreas rurais. Sob relatoria do deputado Nilto Tatto, foi aprovado um substitutivo ao Projeto de Lei 3872/24 que propõe mudanças importantes na forma como produtores rurais são penalizados em casos de incêndios.

A proposta estabelece que o proprietário rural não será alvo de sanções ou embargos ambientais quando ficar comprovado que não houve intenção, negligência, imprudência ou imperícia na ocorrência do fogo. A medida também se aplica a situações em que o incêndio tem origem em propriedades vizinhas e acaba atingindo outras áreas, algo relativamente comum em períodos de estiagem e altas temperaturas.

O texto aprovado altera a Lei 14.944/24, inserindo essa garantia ao produtor que atua de forma responsável. Na prática, isso busca corrigir distorções onde proprietários que não contribuíram para o incêndio acabavam sendo penalizados, muitas vezes com impactos diretos na produção, no crédito rural e na regularidade ambiental da propriedade.

Segundo o relator, a responsabilização deve recair exclusivamente sobre quem causou ou contribuiu para o incêndio. Essa abordagem, além de mais justa, tende a fortalecer a atuação do Estado na prevenção, ao direcionar esforços para identificar os verdadeiros causadores. Ao mesmo tempo, incentiva boas práticas no campo, como a manutenção de aceiros, o monitoramento constante da propriedade e a rápida comunicação com órgãos competentes em caso de focos de fogo.

Pontos importantes para o produtor rural

Para o proprietário rural, a proposta traz alívio, mas não elimina responsabilidades. Alguns pontos merecem atenção:

Comprovação é essencial: o produtor precisará demonstrar que não teve participação no incêndio. Registros, imagens, comunicação com autoridades e histórico de manejo adequado podem ser decisivos.

Boas práticas continuam obrigatórias: manter aceiros, controlar vegetação seca e adotar medidas preventivas seguem sendo fundamentais para evitar riscos e também para se resguardar legalmente.

Ação rápida faz diferença: comunicar imediatamente o incêndio aos órgãos ambientais e colaborar com brigadas pode reforçar a boa-fé do produtor.

Responsabilidade individualizada: a tendência é que as investigações se tornem mais técnicas, buscando identificar com precisão a origem do fogo.

Além disso, a proposta sinaliza uma mudança importante na relação entre fiscalização ambiental e atividade produtiva, buscando equilíbrio entre proteção ambiental e segurança jurídica no campo.

Próximos passos

Apesar da aprovação na comissão, o projeto ainda precisa passar pela análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovado, seguirá para o Senado e, somente após esse trâmite, poderá se tornar lei.

Para o setor agropecuário, o avanço da proposta representa um debate necessário: como responsabilizar de forma justa sem penalizar quem trabalha corretamente. Ao mesmo tempo, reforça que a prevenção de queimadas continua sendo uma responsabilidade compartilhada — e estratégica — dentro e fora da porteira.

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Everaldo Mello (MTb 13.655/PR)
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 0013655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 40 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.