Crise no alho preocupa produtores e acende alerta no campo brasileiro
O setor produtivo de alho no Brasil enfrenta um momento delicado, marcado por pressões externas e aumento expressivo nos custos internos. Produtores, especialmente em Santa Catarina, relatam perda de competitividade diante da crescente entrada de alho importado, principalmente da China e da Argentina, o que pode comprometer grande parte da produção nacional.
De acordo com a Associação Nacional dos Produtores de Alho, o alho estrangeiro tem chegado ao mercado brasileiro com preços até 15% mais baixos do que o custo de produção interno. Esse cenário levanta suspeitas de práticas comerciais desleais, como o dumping — quando produtos são vendidos abaixo do valor de mercado para ganhar espaço e enfraquecer a concorrência local.
A situação é especialmente preocupante em Santa Catarina, onde o impacto pode ser severo. O deputado Ismael dos Santos, integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária, alerta que até 60% da safra estadual pode se tornar inviável. O reflexo disso vai além da produção: cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos estão ameaçados, colocando em risco toda uma cadeia produtiva consolidada ao longo dos anos.
Durante reunião com o Ministério da Agricultura e Pecuária, representantes do setor apresentaram dados que evidenciam o desequilíbrio competitivo. Enquanto produtores brasileiros enfrentam custos elevados — que já ultrapassam US$ 24 por caixa —, o alho importado entra no país a valores significativamente inferiores, dificultando a concorrência.
Diante desse cenário, a Anapa propõe duas medidas urgentes. A primeira é a abertura de uma investigação formal sobre possíveis práticas de dumping envolvendo o alho argentino, incluindo questionamentos sobre a qualidade e a classificação do produto que chega ao Brasil. A segunda é a revisão das regras aplicadas ao alho chinês, especialmente no que diz respeito ao mecanismo de preço mínimo de importação, que vem sendo reduzido ao longo do tempo.
A preocupação do setor é clara: sem ajustes nas políticas comerciais e maior proteção ao produtor nacional, o Brasil pode assistir a um enfraquecimento significativo da sua produção de alho. Mais do que uma questão econômica, trata-se de preservar empregos, garantir segurança alimentar e manter viva uma atividade essencial para o agronegócio brasileiro.









