Visita técnica destaca produção precoce de pinhão por meio da enxertia de araucária no IFPR Campus Palmas
Na manhã da terça-feira, dia 3 de março, o IFPR Campus Palmas recebeu a visita do engenheiro agrônomo Antônio Marcos, egresso da instituição e especialista no cultivo e na produção de mudas de araucária. A atividade ocorreu em conjunto com o engenheiro agrônomo, professor e pesquisador Paulo Bueno, que atua no campus.
Durante a visita, Antônio Marcos apresentou algumas mudas de araucária enxertada, além de demonstrar na prática como funciona a técnica de enxertia, método utilizado para acelerar a produção do pinhão. O agrônomo também realizou a doação de algumas mudas enxertadas para o campus. As plantas foram recebidas pelo professor Paulo Bueno e já foram plantadas em pontos específicos da área do IFPR, contribuindo para projetos de ensino, pesquisa e preservação ambiental.
Segundo Antônio Marcos, que atualmente trabalha como viveirista — produzindo mudas e ministrando treinamentos sobre enxertia de araucária —, o uso dessa técnica representa um avanço importante para a produção do pinhão e para a conservação da espécie.
Importância da araucária e do pinhão
A araucária (Araucaria angustifolia) é uma árvore símbolo da região Sul do Brasil e faz parte do bioma Mata Atlântica. Além de seu valor ambiental e paisagístico, ela produz o pinhão, semente muito utilizada na culinária regional e considerada um alimento nutritivo e energético.
Historicamente, a produção de pinhão ocorre principalmente por extrativismo, ou seja, a coleta das sementes em florestas naturais. No entanto, pesquisadores e produtores vêm incentivando o cultivo planejado da espécie, tanto para geração de renda quanto para preservação das populações naturais de araucária.
A técnica de enxertia
A enxertia é uma técnica de propagação vegetal que consiste na união de duas plantas:
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o porta-enxerto (ou cavalo), que fornece a base e as raízes;
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o enxerto (ou garfo/borbulha), retirado de uma árvore adulta com boas características produtivas.
Após a união das partes, as plantas se desenvolvem como uma única árvore, mantendo as características da planta original que produzia bons frutos.
No caso da araucária, essa técnica traz uma grande vantagem: reduz significativamente o tempo necessário para começar a produzir pinhões. Enquanto uma araucária plantada a partir de sementes pode levar de 12 a 20 anos para iniciar a produção, as mudas enxertadas podem produzir entre 6 e 10 anos após o plantio, dependendo das condições de cultivo.
Além disso, pesquisas mostram que as araucárias enxertadas podem apresentar:
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produção mais precoce;
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árvores de menor porte, facilitando a colheita;
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seleção de plantas com maior produtividade;
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maior padronização do pomar.
Ensino, pesquisa e preservação
Para o professor Paulo Bueno, a presença dessas mudas no campus representa uma oportunidade importante para atividades práticas com estudantes dos cursos da área agrícola. O plantio das araucárias enxertadas permitirá acompanhar, ao longo dos anos, o desenvolvimento das plantas e o potencial de produção precoce de pinhão.
Além do aspecto acadêmico, a iniciativa também reforça a importância da preservação da araucária, espécie considerada ameaçada de extinção devido ao desmatamento histórico de seus habitats naturais.
A visita do engenheiro agrônomo Antônio Marcos reforça a integração entre ex-alunos, profissionais do setor e a instituição, contribuindo para a difusão de conhecimento técnico e para o incentivo ao cultivo sustentável da araucária na região.














