Tarifas dos EUA ficam em 10% e produtos do agro brasileiro permanecem fora da nova cobrança
As novas medidas tarifárias anunciadas pelo governo dos Estados Unidos entraram oficialmente em vigor nesta semana, estabelecendo uma taxa de 10% sobre grande parte das importações realizadas pelo país. A decisão encerra dias de incerteza no mercado internacional, após declarações iniciais indicarem a possibilidade de aumento da alíquota para 15%, cenário que acabou não se confirmando.
A política comercial foi implementada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo norte-americano adotar restrições temporárias para enfrentar desequilíbrios nas contas externas. Segundo autoridades americanas, o objetivo principal é reduzir o déficit comercial e fortalecer a estabilidade econômica nacional diante do crescimento das importações.
Dados apresentados pelo governo apontam que o déficit comercial de bens dos Estados Unidos alcançou cerca de US$ 1,2 trilhão entre 2024 e 2025, enquanto o déficit em conta corrente chegou a aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto, o maior patamar registrado desde a crise financeira de 2008.
Apesar da abrangência da medida, alguns produtos agrícolas estratégicos foram excluídos da nova sobretaxa. Entre eles estão a carne bovina, tomates, laranjas e o suco de laranja — incluindo diferentes categorias do produto, como versões congeladas, concentradas e não concentradas. A exclusão é considerada positiva para o agronegócio brasileiro, que mantém forte presença no mercado norte-americano nesses segmentos.
Além dos itens agrícolas, também ficaram fora da cobrança minerais considerados críticos, produtos energéticos, fertilizantes com oferta limitada nos EUA, medicamentos, parte do setor eletrônico e componentes aeroespaciais.
O governo americano ressaltou que a iniciativa não tem caráter protecionista direcionado a setores específicos, mas busca corrigir distorções comerciais e preservar interesses econômicos e de segurança nacional. Outro ponto definido é que a nova taxa não será somada a tarifas já existentes aplicadas por motivos de segurança nacional, incidindo apenas sobre produtos ainda não tarifados.
A medida terá validade inicial de 150 dias, podendo permanecer em vigor até julho de 2026, caso não haja alteração por parte do Congresso americano. Parlamentares da oposição já demonstraram resistência à continuidade do programa, indicando possíveis debates políticos nos próximos meses.
Para o agronegócio brasileiro, o impacto imediato tende a ser limitado, especialmente nas cadeias de carne bovina e suco de laranja. Ainda assim, produtores e exportadores seguem atentos ao cenário internacional, já que mudanças políticas e comerciais nos Estados Unidos podem influenciar câmbio, contratos e o fluxo global de comércio ao longo do ano.








