Suinocultura paranaense ganha força no exterior com novo status sanitário

0
30
Granja de suínos Dinei Stuani. Toledo 06-2021. Foto: Ari Dias/AEN

Diplomacia comercial e sanidade fortalecem embarques de suínos e desafiam outros setores do agro paranaense

O cenário do agronegócio paranaense no início de 2026 evidencia como fatores estratégicos, como relações comerciais internacionais e reconhecimento sanitário, têm influência direta na competitividade do Estado no mercado externo. Análise recente do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostra que o acesso a mercados mais exigentes e melhor remunerados depende cada vez mais desses dois pilares.

No setor de suinocultura, o momento é de reposicionamento estratégico. O Paraná vem direcionando esforços para conquistar mercados considerados “premium”, que oferecem valores superiores à média global. O reconhecimento do território como área livre de febre aftosa sem necessidade de vacinação tem sido determinante para esse avanço. Com esse status, o Estado ampliou recentemente sua presença no mercado peruano e intensifica negociações para consolidar vendas aos Estados Unidos e ao Canadá.

A busca por esses destinos tem relação direta com a remuneração. Enquanto a média internacional da carne suína gira em torno de US$ 2,55 por quilo, países como o Japão chegam a pagar aproximadamente US$ 3,42 por quilo, liderando o ranking de valorização do produto brasileiro. Mesmo assim, o Paraná ainda possui espaço para crescer nesses mercados, já que não exporta volumes significativos para Japão, Estados Unidos e Canadá, que figuram entre os principais destinos da carne suína brasileira.

O desempenho nas exportações tem sido positivo. Em 2025, a carne suína ocupou a oitava posição entre os produtos mais vendidos pelo Paraná ao exterior, somando US$ 573 milhões, resultado 41% superior ao registrado em 2024.

No segmento de cereais, o trigo inicia o ano enfrentando um ambiente mais desafiador. A queda de aproximadamente 14% nos preços em relação ao começo de 2025 reduziu as margens do produtor. Em janeiro, a saca foi negociada em média a R$ 62,19, patamar que representa custo próximo a 56 sacas por hectare. Além disso, o cereal perde competitividade frente ao milho safrinha, que tem apresentado maior rentabilidade em diversas regiões. O plantio do milho já alcança 12% da área prevista de 2,84 milhões de hectares e pode estabelecer novo recorde. O excesso de oferta mundial e as elevadas importações feitas pelos moinhos em 2025 também limitam uma reação mais rápida nos preços do trigo.

Na pecuária bovina, o destaque fica para a redução histórica da diferença de preços entre machos e fêmeas destinadas ao abate. Os reajustes mais intensos nas cotações das fêmeas contribuíram para encurtar essa distância. Em janeiro, a diferença média entre bois e novilhas ficou em R$ 12,60 por arroba. Já na comparação entre bois e vacas, o diferencial chegou a R$ 20,62 por arroba, mantendo vantagem para os machos.

O mercado de mel também apresentou resultados positivos no último ano. Dados do Agrostat mostram que o Brasil exportou 34.468 toneladas do produto em 2025, gerando receita de US$ 116,472 milhões, crescimento de 15,8% sobre 2024. O preço médio nacional subiu 27,5%, atingindo cerca de US$ 3,38 por quilo.

O Paraná encerrou 2025 como terceiro maior exportador nacional de mel natural, com faturamento de US$ 20,069 milhões e embarque de 5.983 toneladas. No ano anterior, o volume havia sido de 3.969 toneladas, com receita de US$ 10,395 milhões, evidenciando forte evolução do setor.

Os Estados Unidos seguem como principal destino do mel brasileiro, com mais de 29 mil toneladas importadas em 2025. Entretanto, o setor já sente impactos de medidas tarifárias recentes. Outros mercados relevantes incluem Canadá, Alemanha, Reino Unido, Israel, Austrália e Bélgica.

O panorama geral indica que, enquanto cadeias como a suinocultura avançam com apoio do status sanitário e da diplomacia comercial, outras atividades enfrentam desafios ligados ao mercado global e à competitividade interna, exigindo ajustes estratégicos para manter a rentabilidade do agro paranaense.