Consumo de pescados ganha força no Brasil com chegada da Quaresma e anima cadeia produtiva
O setor brasileiro de pescados entra em um dos períodos mais importantes do ano com a aproximação da Quaresma, fase tradicionalmente marcada pelo aumento do consumo de peixes e frutos do mar. Impulsionada por hábitos culturais e religiosos que estimulam a redução do consumo de carne vermelha, a demanda por pescado costuma crescer significativamente em todo o país, fortalecendo a atividade desde a produção até a distribuição.
Segundo representantes do setor, a Quaresma permanece como o principal motor de vendas anuais, especialmente nas semanas que antecedem a Páscoa. Nesse período, o consumo nacional pode registrar crescimento médio superior a 50%, refletindo diretamente no aumento das negociações em mercados atacadistas, supermercados e peixarias.
Dados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), considerada a maior central atacadista de alimentos da América do Sul, demonstram a relevância desse momento. Após a retração observada durante os anos mais críticos da pandemia, o volume comercializado voltou a crescer, alcançando níveis elevados nos últimos ciclos. A expectativa para 2026 é manter ou até superar o desempenho registrado no ano anterior, caso o abastecimento siga estável.
Entre as espécies mais consumidas, a tilápia segue liderando o mercado nacional graças à ampla produção, preço competitivo e características nutricionais valorizadas pelo consumidor. Outras espécies também apresentam forte presença regional, como o tambaqui no Norte e o camarão vannamei no Nordeste. Já na pesca extrativa, a sardinha continua sendo destaque em volume nas regiões Sul e Sudeste.
Grande parte do pescado comercializado no Brasil chega ao consumidor na forma congelada, estratégia fundamental para garantir distribuição eficiente em um país de dimensões continentais e reduzir perdas logísticas, especialmente em áreas afastadas do litoral.
Apesar do aumento sazonal da procura, a elevação dos preços não ocorre de maneira generalizada. Estoques formados previamente durante períodos de defeso ajudam a equilibrar oferta e demanda. Ainda assim, fatores como importações e variações cambiais podem influenciar valores, sobretudo em espécies dependentes do mercado externo, como o salmão.
Especialistas observam também uma mudança gradual no comportamento do consumidor. O pescado deixa de ser associado apenas a datas específicas e passa a ganhar espaço na alimentação cotidiana, impulsionado pela busca por dietas mais saudáveis e pela oferta crescente de produtos práticos para o preparo.
Mesmo com essa evolução, a Quaresma continua sendo o grande marco anual do setor, movimentando toda a cadeia produtiva e reforçando a importância econômica e alimentar da piscicultura e da pesca no Brasil.








