
A Epagri tem desempenhado um papel estratégico no fortalecimento da apicultura e da meliponicultura no Extremo-Oeste catarinense ao promover encontros abertos à comunidade, integrando conhecimento técnico, práticas tradicionais e inovação no campo. A iniciativa, intitulada “Insetos Polinizadores – Meliponicultura e Apicultura”, surge como uma resposta concreta à necessidade de valorizar os insetos polinizadores, essenciais para a sustentabilidade ambiental, a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico regional.
Os encontros, que envolvem municípios como Romelândia, Flor do Sertão, São Miguel da Boa Vista e Iraceminha, têm como principal objetivo identificar e conectar diferentes perfis de criadores — desde entusiastas iniciantes até produtores comerciais. Essa troca de experiências promove a valorização do conhecimento empírico acumulado ao longo dos anos, ao mesmo tempo em que incorpora novas técnicas e tecnologias de manejo sustentável, evitando a perda desse saber entre gerações.
Além do aspecto produtivo, a proposta enfatiza a importância das abelhas para a biodiversidade e para a produção de alimentos. Estima-se que esses insetos sejam responsáveis pela polinização de cerca de 80% das plantas com flores e por aproximadamente um terço dos alimentos consumidos pela população. Nesse sentido, a iniciativa contribui não apenas para o fortalecimento da cadeia produtiva do mel, mas também para a manutenção dos ecossistemas e da própria agricultura.
Outro ponto relevante do projeto é a diversificação da produção. Tradicionalmente, muitos apicultores concentram sua atividade na comercialização do mel, mas os encontros buscam ampliar essa visão, incentivando o aproveitamento integral da colmeia. Produtos como própolis, pólen, cera e geleia real ganham destaque por seu alto valor agregado e por sua demanda crescente nas indústrias farmacêutica e cosmética. Essa diversificação pode representar uma alternativa importante de renda para pequenos produtores e agroindústrias familiares.
A programação dos encontros também evidencia uma abordagem ampla e estratégica, abordando temas como manejo de inverno, impactos dos agrotóxicos, turismo rural e técnicas específicas tanto para abelhas com ferrão quanto para as sem ferrão. A realização da primeira reunião, em fevereiro, já demonstrou o interesse da comunidade, reunindo dezenas de participantes e abrindo espaço para debates sobre o potencial econômico, social e ambiental da atividade.
Dessa forma, a iniciativa da Epagri se consolida como um exemplo de extensão rural eficaz, ao promover capacitação, integração e inovação. Mais do que incentivar a criação de abelhas, o projeto contribui para a construção de um modelo de produção mais sustentável, resiliente e alinhado às demandas contemporâneas, reforçando o papel do campo na garantia de alimento, renda e equilíbrio ambiental.







