A safra de maçã em São Joaquim, na Serra catarinense, vive um momento paradoxal: enquanto os pomares apresentam frutas de excelente qualidade e produtividade acima da média, parte significativa da produção está sendo perdida antes mesmo de chegar ao consumidor. O principal desafio enfrentado pelos produtores não está relacionado ao clima ou a problemas fitossanitários, mas sim à escassez de mão de obra para a colheita.
Reconhecida como uma das principais regiões produtoras de maçã do país, a cidade depende fortemente da fruticultura para movimentar a economia local. Neste ano, os produtores comemoraram inicialmente o bom desenvolvimento das frutas, que apresentam coloração intensa, tamanho superior e alto potencial comercial. No entanto, a falta de trabalhadores tem impedido que toda a produção seja retirada do campo no tempo adequado.

Imagens registradas por um produtor rural mostram a dimensão do problema: grandes quantidades de maçãs já caídas ao solo, iniciando o processo de deterioração. Segundo relatos, somente uma propriedade possui entre 15 e 20 vagas abertas que seguem sem candidatos, mesmo com oferta de salários considerados atrativos e benefícios aos trabalhadores temporários.
A colheita da maçã exige agilidade, já que existe um período ideal para a retirada da fruta do pé. Quando esse prazo não é respeitado, a qualidade diminui rapidamente, reduzindo o valor de mercado e aumentando as perdas. Com equipes incompletas, muitos produtores não conseguem acompanhar o ritmo necessário, resultando em desperdício crescente nos pomares.

De acordo com agricultores da região, a dificuldade para contratar mão de obra não é um fenômeno recente, mas tem se intensificado nas últimas safras. A diferença neste ciclo produtivo é o volume elevado de frutas disponíveis, o que amplia o impacto econômico das perdas.
Enquanto vagas permanecem abertas e produtores buscam alternativas para minimizar os prejuízos, toneladas de maçãs continuam amadurecendo além do ponto ideal e se perdendo no campo. O cenário acende um alerta para o setor frutícola, que vê na falta de trabalhadores um dos principais desafios para manter a competitividade e evitar desperdícios em uma safra que tinha tudo para ser histórica.








