Tecnologia desenvolvida nos EUA pode multiplicar a produção de morangos

Pesquisa da Universidade Estadual da Carolina do Norte desenvolveu uma cobertura tecnológica capaz de proteger os morangueiros contra insetos e variações climáticas, com resultados experimentais que apontam aumento expressivo na quantidade de frutos aproveitáveis.

Uma inovação científica desenvolvida pela Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State), nos Estados Unidos, pode abrir novas possibilidades para o cultivo de morangos. Batizada de Plant Armor, a tecnologia utiliza um tecido protetor tridimensional que funciona como uma barreira física contra insetos e condições ambientais adversas, reduzindo a exposição das plantas a fatores que comprometem a produtividade.

Os resultados dos experimentos chamam a atenção. De acordo com o estudo, as plantas cultivadas sob a cobertura produziram aproximadamente 3,56 vezes mais frutos aproveitáveis do que aquelas mantidas sem proteção. Além disso, o peso total dos morangos colhidos foi 1,84 vez maior, indicando ganhos tanto na quantidade quanto no rendimento da produção.

Outro resultado observado foi a antecipação da colheita em cerca de uma semana. Essa diferença pode representar uma vantagem comercial para os produtores, permitindo que a fruta chegue ao mercado mais cedo e favorecendo o aproveitamento de períodos estratégicos de comercialização.

Proteção sem depender exclusivamente de defensivos químicos

O Plant Armor foi desenvolvido para permitir a passagem de luz, ar e água, ao mesmo tempo que cria uma barreira física contra insetos. A estrutura também contribui para manter a temperatura interna ligeiramente mais elevada, formando um microclima que pode favorecer o desenvolvimento das plantas.

O material é composto por multifilamentos de poliéster refletivo com uma pequena concentração de dióxido de titânio, de 0,05%. Para sustentar a cobertura, os pesquisadores utilizaram estruturas em formato de túnel feitas com hastes circulares de PVC.

A proposta é reduzir os prejuízos provocados por pragas e condições climáticas desfavoráveis, diminuindo a necessidade de determinados tratamentos químicos. A tecnologia também acompanha a busca por sistemas produtivos que utilizem menos pesticidas e atendam ao interesse dos consumidores por alimentos produzidos com práticas mais sustentáveis.

Tecnologia inspirada em pesquisas militares

A origem do projeto está relacionada a pesquisas da própria universidade sobre tecidos destinados a uniformes militares e roupas de proteção. Esses estudos buscavam desenvolver materiais que proporcionassem maior conforto e proteção contra insetos.

Posteriormente, os pesquisadores passaram a avaliar a aplicação agrícola da tecnologia. Experimentos anteriores com repolhos, publicados em 2022, ajudaram a ampliar as investigações sobre o uso desse tipo de cobertura na proteção de cultivos.

A utilização de mantas para proteger plantas não é uma ideia recente. Estudos anteriores já apontavam benefícios desse método, mas algumas coberturas exigiam remoções periódicas para ventilação e prevenção do superaquecimento. A proposta do Plant Armor é oferecer uma alternativa que mantenha condições mais favoráveis ao desenvolvimento das culturas.

Próximos passos para chegar às propriedades rurais

Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda precisa passar por novas avaliações antes de uma possível comercialização em larga escala. A equipe de pesquisa pretende testar o material em propriedades rurais e em diferentes condições de cultivo para verificar sua eficiência fora do ambiente experimental.

Também será necessário avaliar fatores como durabilidade, custos de instalação, manutenção e viabilidade econômica para produtores de diferentes portes.

Se os resultados forem confirmados em condições comerciais, o Plant Armor poderá representar uma alternativa interessante para a produção de morangos, especialmente em sistemas que buscam reduzir perdas e melhorar a qualidade e o rendimento das frutas.

O estudo, divulgado em 24 de setembro de 2026 na revista científica Agriculture, reforça a importância da pesquisa e da inovação para enfrentar desafios da agricultura. Para o produtor rural, tecnologias desse tipo demonstram como soluções desenvolvidas em laboratório podem, futuramente, contribuir para uma produção mais eficiente e sustentável.

Fonte: estudo científico da North Carolina State University, divulgado na revista Agriculture.

 

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Jornalista Everaldo Mello 13.655/PR
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 13655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 41 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.