Uva resistente a doenças ganha espaço em experimentos para uma viticultura mais sustentável
Uma nova geração de uvas destinadas à produção de vinhos começa a despertar o interesse de produtores brasileiros por uma característica que pode transformar o manejo dos vinhedos: a resistência natural a algumas das principais doenças causadas por fungos.
Em propriedades experimentais do sul e do sudeste de Minas Gerais, agricultores estão testando as chamadas uvas Piwi, variedades híbridas desenvolvidas para apresentar maior resistência a doenças como o míldio e o oídio. A proposta é diminuir significativamente a necessidade de aplicações de fungicidas durante o ciclo produtivo.
Em cultivos convencionais de uvas para vinhos finos, o controle dessas doenças pode exigir dezenas de aplicações de produtos ao longo da safra. O míldio tende a ganhar força em períodos de maior umidade, enquanto o oídio encontra condições favoráveis principalmente em ambientes mais secos e quentes.
É justamente nesse cenário que as variedades Piwi apresentam uma alternativa. O nome vem do alemão pilzwiderstandsfähige, expressão relacionada à resistência das plantas a doenças provocadas por fungos.
A expectativa dos produtores envolvidos nos experimentos é que algumas dessas variedades possam reduzir em até 90% o uso de fungicidas, dependendo das condições de cultivo e do manejo adotado. Além de representar uma possível redução nos custos de produção, a menor utilização de defensivos pode contribuir para uma atividade vitivinícola com menor impacto ambiental.
Outro ponto que diferencia essas variedades está no período de colheita. As uvas Piwi utilizadas nesses experimentos são destinadas à colheita durante o verão, diferentemente de determinadas variedades empregadas na produção de vinhos de inverno, sistema que utiliza a técnica da dupla poda para alterar o ciclo da planta.
A experiência desenvolvida em Minas Gerais ainda está em fase experimental e serve para avaliar o comportamento das variedades nas condições brasileiras, incluindo produtividade, qualidade das uvas, adaptação ao clima e características dos vinhos produzidos.
Para os agricultores, a tecnologia representa a possibilidade de combinar produtividade, redução de custos e práticas de manejo mais sustentáveis. Para o consumidor, o avanço pode significar a chegada de vinhos produzidos com uma necessidade menor de tratamentos fitossanitários no campo.
A adoção em maior escala, entretanto, dependerá dos resultados obtidos nos experimentos e da adaptação das variedades às diferentes regiões produtoras do país. O desenvolvimento dessas cultivares mostra como a pesquisa e a inovação genética podem abrir novos caminhos para uma agricultura mais eficiente e sustentável.









