Abelhas nativas ganham importância nas lavouras de soja

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Foto: Davi de Lacerda Ramos

Abelhas nativas ganham destaque na produção de soja, aponta pesquisa

Um novo estudo conduzido pela Embrapa e instituições parceiras ampliou o conhecimento sobre a presença de abelhas nativas em áreas de produção de soja no sudoeste de Goiás. A pesquisa identificou 27 espécies que ainda não haviam sido registradas pela literatura científica como associadas à cultura no Brasil.

O levantamento foi realizado em propriedades localizadas na região de Rio Verde e Montividiu e encontrou 40 espécies de abelhas dentro das lavouras. Quando também são consideradas as áreas de vegetação nativa próximas às plantações, o número chega a 53 espécies, distribuídas entre cinco famílias de abelhas.

Outro dado chama atenção: entre as 764 abelhas coletadas durante o estudo, 89% eram espécies nativas brasileiras. Os pesquisadores também observaram que a presença desses polinizadores pode favorecer a produção, com estimativa de aumento médio de 7% no peso dos grãos de soja em áreas onde as abelhas silvestres estão presentes.

Os resultados reforçam a importância de manter fragmentos de vegetação nativa próximos às lavouras. Essas áreas funcionam como abrigo, fonte de alimento e locais de reprodução para os polinizadores, permitindo que eles permaneçam na paisagem agrícola mesmo fora do período de floração da soja.

A pesquisa também apontou diferenças importantes relacionadas ao manejo das propriedades. Áreas submetidas a uso mais intenso de produtos químicos apresentaram comunidades de abelhas menos equilibradas, enquanto propriedades que adotaram bioinsumos e práticas de menor impacto ambiental registraram maior equilíbrio entre as diferentes espécies.

Esse aspecto ganha ainda mais relevância porque aproximadamente 60% das espécies encontradas constroem seus ninhos no solo. Dessa forma, práticas como a redução do revolvimento da terra e a manutenção da cobertura do solo podem contribuir para preservar esses pequenos polinizadores dentro das próprias áreas agrícolas.

A maioria das espécies identificadas também possui comportamento solitário. Diferentemente das abelhas sociais, essas espécies não vivem em grandes colônias e dependem diretamente das condições ambientais encontradas na propriedade para sobreviver e se reproduzir.

A distância entre as lavouras e os fragmentos de vegetação nativa também apresentou influência sobre a presença das abelhas. Quanto maior o afastamento das áreas de Cerrado, menor foi a riqueza e a quantidade desses insetos observada nas flores da soja.

A pesquisa ainda mostrou que o método utilizado para capturar os insetos pode alterar a percepção sobre a biodiversidade existente nas lavouras. As chamadas “pan traps”, armadilhas utilizadas para atrair e coletar abelhas, responderam por 95% das capturas realizadas no estudo e identificaram 33 espécies. Já a coleta com rede entomológica registrou apenas sete espécies.

Os resultados representam um avanço significativo em relação ao conhecimento disponível anteriormente. Até então, revisões científicas realizadas até 2018 apontavam apenas 12 espécies de abelhas nativas associadas à soja no Brasil.

Para os pesquisadores, os dados reforçam que produção agrícola e conservação ambiental não precisam ser tratadas como atividades opostas. A manutenção da vegetação nativa, o uso responsável de tecnologias e a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis podem favorecer a biodiversidade e, ao mesmo tempo, contribuir para o desempenho das lavouras.

O estudo integra o projeto Regenera Cerrado e reúne pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Universidade de Brasília, Universidade Federal da Bahia e Instituto Federal Goiano. A iniciativa avalia os efeitos de práticas de agricultura regenerativa sobre o solo, as pragas e os organismos benéficos presentes nas áreas de produção.

A descoberta reforça uma mensagem importante para o campo: preservar as abelhas nativas significa proteger um componente essencial do equilíbrio dos agroecossistemas e, potencialmente, contribuir para uma produção de soja mais sustentável e produtiva.

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Everaldo Mello (MTb 13.655/PR)
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 0013655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 40 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.