
Do magistério ao campo: produtora assume liderança do plantio direto no Brasil
A história de Maira Lelis reúne educação, agricultura e conservação do solo. Produtora rural e ex-professora, ela se tornou, em março de 2026, a primeira mulher a assumir a presidência da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP), entidade criada em 1992 e historicamente comandada por nomes de destaque na agricultura brasileira.
A relação de Maira com o campo começou ainda na infância, quando viveu os primeiros anos na propriedade da família, em Guaíra, no interior paulista. Mais tarde, mudou-se para a cidade com os pais e os irmãos. Aos 17 anos, casou-se, formou-se em pedagogia e ingressou no serviço público por meio de concurso, construindo uma trajetória de mais de uma década dedicada à educação.
O retorno à atividade rural aconteceu em 2014, quando seu pai, Adnaer Barros Lelis, enfrentou problemas de saúde. Com o irmão, o engenheiro agrônomo José Eduardo Lelis, envolvido profissionalmente em São Paulo, Maira voltou à propriedade da família para ajudar na condução das atividades.
Foi nesse momento que a antiga professora passou a ocupar também o papel de aprendiz no campo. Ela buscou conhecimento sobre técnicas de conservação do solo e adotou práticas voltadas à sustentabilidade da produção, entre elas o sistema de plantio direto.
Mais do que uma técnica agrícola, Maira defende uma visão mais ampla do modelo. Para ela, o plantio direto representa uma forma de pensar a produção rural, envolvendo a proteção do solo, a manutenção da cobertura vegetal, o uso adequado dos recursos naturais e a construção de um sistema produtivo mais equilibrado.
A chegada à presidência da FEBRAPDP marca uma nova etapa nessa trajetória. Maira assume a entidade depois de agricultores que tiveram papel importante na difusão do plantio direto no Brasil, como Herbert Bartz, Franke Dijkstra e Manoel Henrique Pereira.
Sua liderança também representa uma mudança histórica dentro da organização, já que ela é a primeira mulher a ocupar o cargo desde a fundação da federação. A expectativa é ampliar o diálogo sobre conservação do solo e fortalecer a adoção de práticas agrícolas capazes de conciliar produtividade, sustentabilidade e preservação dos recursos naturais.
A trajetória de Maira mostra que a experiência no campo pode ser construída em diferentes momentos da vida. De professora a produtora rural e, posteriormente, dirigente de uma das principais entidades ligadas ao plantio direto no país, ela passou a representar uma geração que busca transformar a agricultura por meio de conhecimento, planejamento e conservação.
Nesse contexto, o sistema plantio direto deixa de ser visto apenas como uma técnica utilizada durante o cultivo e passa a integrar uma estratégia de longo prazo para o desenvolvimento da agricultura brasileira, com foco na saúde do solo e na sustentabilidade das propriedades.








