Mercado do feijão registra cenários distintos entre variedades durante o mês de julho
O mercado brasileiro de feijão apresentou comportamentos diferentes entre as principais variedades comercializadas ao longo de julho. Enquanto o feijão carioca enfrentou desvalorização devido ao aumento da oferta, o feijão-preto manteve maior equilíbrio nas negociações, sustentado pela expectativa de menor disponibilidade do produto no mercado.
No caso do feijão carioca de melhor qualidade, classificado como peneira 12 e nota 9 ou superior, o avanço da colheita da terceira safra, principalmente nas regiões irrigadas do Cerrado, elevou significativamente o volume disponível para comercialização. Com mais produto chegando ao mercado, os compradores adotaram uma postura cautelosa, realizando aquisições apenas para reposição imediata dos estoques, o que reduziu o poder de negociação dos vendedores.
Como consequência, a cotação média dessa categoria recuou 11,68% em comparação com junho. Apesar da queda mensal, os preços ainda permanecem 61,4% superiores aos registrados no mesmo período do ano passado. A expectativa para as próximas semanas é de continuidade da pressão sobre os valores, especialmente conforme a colheita avança e a demanda segue restrita.
Os feijões carioca de qualidade intermediária, classificados com notas 8 e 8,5, também acompanharam o movimento de baixa. A combinação entre maior oferta e compradores mais seletivos limitou o ritmo das negociações. As indústrias passaram a priorizar apenas lotes que atendiam às exigências de qualidade, tornando o mercado ainda mais competitivo.
Em média, essa categoria registrou retração de 9,74% frente ao mês anterior, embora ainda apresente valorização de 72,1% na comparação com julho de 2025. Entre as principais praças acompanhadas, Belo Horizonte (MG) foi a única a registrar valorização na última semana do mês, impulsionada pela procura por lotes com coloração 8,5.
Já o mercado do feijão-preto apresentou comportamento mais estável durante julho. A demanda permaneceu moderada e a expectativa de uma oferta nacional mais limitada ajudou a evitar quedas mais acentuadas nos preços. O recuo médio foi de apenas 0,64% em relação a junho, mantendo valorização de 63,2% sobre o mesmo período do ano anterior.
A perspectiva de menor disponibilidade do feijão-preto é reforçada pelas estimativas da safra paranaense, que apontam produção próxima de 518 mil toneladas no ciclo 2025/26, representando redução de 41,4% em comparação com a temporada passada. No cenário internacional, a colheita na Argentina segue em andamento, mas o excesso de umidade ainda dificulta a secagem dos grãos e desacelera parte dos trabalhos no campo.
Os dados indicam que o comportamento do mercado continuará sendo influenciado pelo avanço da colheita, pela disponibilidade de produto e pelo ritmo da demanda, fatores que deverão determinar a evolução das cotações nas próximas semanas.









