Soja é responsável por quase 31% das exportações do agro

0
50

Soja mantém liderança e responde por quase um terço das exportações do agro em 2025

 

O complexo soja voltou a confirmar, em 2025, sua centralidade no comércio exterior do agronegócio brasileiro. Mesmo enfrentando um cenário internacional de preços menos favoráveis, a cadeia consolidou-se como o principal pilar da pauta exportadora do setor, sustentada por volumes elevados e forte presença nos mercados globais.

Ao longo do ano, as exportações do complexo soja alcançaram US$ 52,9 bilhões, valor que corresponde a 31,3% de toda a receita gerada pelo agronegócio brasileiro, que somou US$ 169,2 bilhões no período. Quando analisado o volume embarcado, a dependência é ainda maior: 132,8 milhões de toneladas, quase metade de tudo o que o agro nacional exportou em 2025.

Esse desempenho reforça o papel estratégico da soja como principal ativo comercial do campo brasileiro. No entanto, também evidencia um descompasso relevante entre crescimento físico e geração de valor, fenômeno que marcou o ano na comparação com 2024.

Mais embarques, menor retorno financeiro

Em relação ao ano anterior, o volume exportado do complexo soja avançou 7,7%, impulsionado principalmente pela boa produtividade e pela forte demanda externa. Apesar disso, a receita apresentou queda de 1,9%, refletindo a pressão baixista sobre os preços internacionais das commodities agrícolas.

Na prática, o Brasil precisou embarcar mais soja e derivados para manter um nível de faturamento próximo ao de 2024. Esse ajuste quantitativo compensou parcialmente a redução dos valores unitários, mas trouxe impactos diretos sobre as margens em diferentes elos da cadeia produtiva.

Grão ganha espaço e reforça perfil primário

A composição das exportações mostra um avanço ainda maior da soja em grãos. Em 2025, o produto respondeu por 82,3% da receita total do complexo, com faturamento de US$ 43,5 bilhões. Em volume, foram 108,2 milhões de toneladas, o equivalente a mais de 80% de tudo o que foi exportado pela cadeia.

Esse crescimento reflete, sobretudo, a elevada competitividade da soja brasileira, aliada à forte demanda internacional por matéria-prima, especialmente nos países asiáticos. Por outro lado, o resultado reforça um perfil exportador mais concentrado em produtos com menor grau de processamento, ampliando a exposição às oscilações do mercado global.

Farelo perde relevância e indústria sente pressão

Entre os derivados, o farelo de soja foi o segmento mais pressionado em 2025. Embora o volume exportado tenha permanecido praticamente estável, em 23,3 milhões de toneladas, sua participação na receita total caiu para 15%, somando US$ 7,9 bilhões.

A perda de espaço financeiro indica uma desvalorização mais intensa do farelo em relação ao grão, o que reduz a rentabilidade da indústria de esmagamento e reacende o debate sobre competitividade, agregação de valor e fortalecimento do processamento interno.

Óleo de soja mostra desempenho mais equilibrado

O óleo de soja, apesar de representar uma fatia menor da pauta, apresentou um comportamento relativamente mais resiliente. Em 2025, respondeu por 2,7% da receita do complexo, com faturamento de US$ 1,4 bilhão, mesmo sem crescimento expressivo no volume exportado.

Esse desempenho sugere maior sustentação de preços ou atuação em nichos específicos, conferindo ao óleo um papel estratégico complementar dentro da cadeia exportadora.

China amplia protagonismo nas compras

No recorte dos destinos, a concentração permanece elevada. A China consolidou-se como o principal mercado da soja brasileira, ampliando ainda mais sua participação em 2025. O país asiático importou 85,5 milhões de toneladas, gerando US$ 34,6 bilhões em receita, o que representa 65,4% de todo o faturamento do complexo.

O aumento expressivo das compras chinesas reforça o grau de dependência do Brasil em relação a esse mercado. Ao mesmo tempo, países do Sudeste Asiático, como Tailândia e Vietnã, ganharam relevância, enquanto o Irã reduziu significativamente suas importações no período.

Dependência do grão marca o retrato de 2025

O desempenho do complexo soja em 2025 evidencia uma cadeia altamente eficiente na geração de volume, mas cada vez mais sensível à volatilidade dos preços internacionais e à concentração em produtos menos processados. O crescimento físico aliado à queda de receita aponta para margens mais apertadas e desafios estruturais no avanço da agregação de valor.

Mesmo assim, em um cenário global de demanda firme por ração e proteína animal, a soja brasileira segue como insumo estratégico. O desafio para os próximos anos será equilibrar competitividade, diversificação de mercados e fortalecimento dos derivados, reduzindo a dependência do grão in natura como principal âncora das exportações do agronegócio nacional.

Ranking dos principais destinos da soja brasileira em 2025

A concentração das exportações também se reflete no destino dos embarques. Em 2025, dez países responderam pela maior parte das compras do complexo soja brasileiro, com ampla liderança da China, que sozinha absorveu mais da metade do volume exportado.

Confira os 10 maiores compradores da soja brasileira no ano:

China – 85,5 milhões de toneladas | US$ 34,6 bilhões

Tailândia – 6,4 milhões de toneladas | US$ 2,4 bilhões

Espanha – 5,9 milhões de toneladas | US$ 2,2 bilhões

Indonésia – 3,9 milhões de toneladas | US$ 1,3 bilhão

Países Baixos – 3,2 milhões de toneladas | US$ 1,1 bilhão

Índia – 928 mil toneladas | US$ 965,4 milhões

Coreia do Sul – 2,0 milhões de toneladas | US$ 789,8 milhões

Vietnã – 2,1 milhões de toneladas | US$ 745,8 milhões

Irã – 2,0 milhões de toneladas | US$ 737,6 milhões

Turquia – 1,9 milhão de toneladas | US$ 665,0 milhões

O ranking evidencia a forte dependência do mercado asiático, que domina as primeiras posições e dita o ritmo das exportações brasileiras. Ao mesmo tempo, a diversificação moderada para a Europa e outros países da Ásia ajuda a reduzir parcialmente os impactos de oscilações pontuais em mercados específicos.