Calor e umidade aumentam ataques de cobras no Paraná

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Verão aumenta risco de acidentes com cobras no Paraná e autoridades reforçam alerta à população

Com a chegada do verão, caracterizado por altas temperaturas e umidade elevada, cresce também a atividade de serpentes em todo o Paraná — e, consequentemente, o número de acidentes envolvendo esses animais. Dados recentes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) revelam que o ano de 2025 registrou 863 ocorrências desse tipo, mantendo o estado em patamares elevados quando comparado aos anos anteriores.

O histórico mostra que o problema é recorrente: em 2023 foram contabilizados 910 casos e, em 2024, 918. Em 2025, mesmo com uma leve redução, o número ainda preocupa, especialmente porque quase 80% dos registros aconteceram em áreas rurais, onde trabalhadores do campo e moradores estão mais expostos. Ao todo, 680 acidentes ocorreram no meio rural, contra 171 na zona urbana e 12 em áreas periurbanas.

Segundo especialistas da área de vigilância em saúde, o clima quente e úmido cria condições ideais para o deslocamento e a reprodução das serpentes, fazendo com que elas apareçam com maior frequência em lavouras, trilhas, jardins e até próximo de residências.

Perfil das vítimas e espécies mais comuns

A maioria das vítimas são homens, que representam cerca de 70% dos atendimentos. O grupo etário mais atingido está entre 15 e 49 anos — faixa que concentra grande parte da população economicamente ativa, sobretudo no setor agropecuário.

Em relação às espécies envolvidas, cerca de 85% dos acidentes são provocados por serpentes do gênero Bothrops, que inclui jararacas, urutus, jararacuçus e cotiaras. As cascavéis, do gênero Crotalus, respondem por aproximadamente 12% dos casos, enquanto as corais-verdadeiras (Micrurus) representam cerca de 3%.

Prevenção é a principal aliada

O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, destaca que a prevenção continua sendo a forma mais eficaz de reduzir os acidentes. O Governo do Paraná vem investindo na capacitação de profissionais de saúde e no fortalecimento da rede de atendimento, garantindo que o socorro seja rápido e eficiente.

Entre as medidas mais importantes está o uso de equipamentos de proteção individual. Botas de cano alto, perneiras de couro e calçados fechados podem evitar até 80% das picadas, especialmente durante atividades em áreas de mata, lavouras, trilhas e jardins. Já as mãos e os antebraços, que concentram cerca de 15% das lesões, devem ser protegidos com luvas resistentes ao manusear folhas secas, lenha, palha ou entulhos.

Manter os arredores das casas limpos também é essencial. O acúmulo de lixo, restos de construção e mato alto atrai roedores, que são presas naturais das serpentes e acabam funcionando como um convite para sua aproximação.

Como agir em caso de picada

Se ocorrer um acidente, a recomendação é lavar o local com água e sabão, manter a vítima em repouso e bem hidratada e buscar atendimento médico imediatamente. Quando possível e de forma segura, uma foto da serpente ou a identificação do animal pode ajudar os profissionais a escolherem o soro correto.

Práticas populares como torniquetes, cortes, sucção do veneno ou uso de substâncias caseiras — como pó de café, álcool ou folhas — devem ser evitadas, pois aumentam o risco de infecção e complicações. O consumo de bebidas alcoólicas também é contraindicado.

Paraná possui estrutura de referência

O estado conta com uma ampla rede de atendimento para acidentes com animais peçonhentos. São 225 unidades de saúde de referência, distribuídas nas 22 Regionais de Saúde, aptas a aplicar o soro antiofídico, fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, o Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), em Curitiba, mantém um dos principais serpentários do país, com cerca de 350 serpentes utilizadas para a produção do plasma que dá origem aos soros.

Para orientações imediatas, a população e os profissionais de saúde podem entrar em contato com o CIATox Paraná pelos telefones:

0800 0410 148 (Paraná)

(43) 3371-2244 (Londrina)

(44) 3011-9127 (Maringá)

(45) 3321-5261 (Cascavel)

No campo ou na cidade, a atenção e a prevenção são as melhores ferramentas para garantir um verão mais seguro. 🐍🌾