Sistemas integrados reduzem metano e fortalecem o solo

0
77
Foto: Thais Rodrigues de Souza

Sistemas integrados reduzem metano e aumentam o carbono no solo, aponta estudo da Embrapa

Um dos mais completos experimentos sobre Integração Lavoura-Pecuária (ILP) no Brasil revelou que modelos produtivos mais diversificados são capazes de elevar a produtividade da pecuária ao mesmo tempo em que reduzem a emissão de gases de efeito estufa. Os dados mostram que áreas com consórcio de pastagem e leguminosa emitiram 269 g de metano por quilo de ganho de peso vivo por hectare, enquanto sistemas integrados com capim Zuri em rotação apresentaram índice ainda menor: 224 g de CH₄/kg GPV/ha.

A diferença indica que a diversificação da pastagem e o manejo integrado contribuem diretamente para uma produção mais eficiente e com menor impacto climático.

Solo mais rico em carbono

Além de reduzir o metano, os sistemas integrados também mostraram forte capacidade de armazenar carbono no solo. Na camada de 0 a 30 centímetros, o estoque de carbono foi significativamente maior nas áreas com integração, especialmente no sistema que utilizou leguminosa consorciada.

Nesse modelo, o solo acumulou 83,17 toneladas de carbono por hectare, contra 62,20 t/ha na pastagem solteira — um ganho superior a 20 toneladas por hectare quando o capim Piatã foi consorciado com o guandu-anão. Esse incremento representa uma importante contribuição para a mitigação do aquecimento global, já que o carbono fica retido no solo em vez de ser liberado na atmosfera.

Mais carne, menos gases de efeito estufa

O estudo reforça que é possível intensificar a pecuária sem ampliar seu impacto ambiental. Sistemas bem manejados, tanto com leguminosas quanto com rotação lavoura-pecuária, permitem produzir mais carne por área, com menores emissões de metano e maior sequestro de carbono no solo.

Resultados anteriores obtidos na mesma área experimental já haviam indicado que esses modelos também reduzem em até 59% as emissões de óxido nitroso (N₂O), outro gás altamente nocivo ao clima. Com isso, o balanço ambiental dos sistemas integrados se torna ainda mais positivo.

Tecnologia a favor do clima

Os dados foram coletados no mais antigo experimento de ILP do país, instalado em 1991 na Embrapa Cerrados, com avaliações realizadas em maio, agosto e dezembro de 2024. Os números reforçam que o uso de tecnologias como consórcio de pastagens, leguminosas e rotação com lavouras é um dos caminhos mais sólidos para uma pecuária de baixo carbono.

O metano no centro das atenções

Com mais de 90% da produção nacional de carne bovina feita a pasto, o Brasil tem enorme potencial para reduzir emissões por meio da intensificação sustentável. O metano entérico — produzido durante a digestão dos bovinos — tem 27 vezes mais impacto no aquecimento global que o CO₂ em um período de 100 anos, sendo fortemente influenciado pela qualidade e oferta de forragem.

Durante a COP30, realizada em Belém (PA), o tema ganhou destaque nas discussões sobre o papel da agropecuária brasileira na mitigação climática. Segundo a pesquisadora Arminda de Carvalho, “reduzir emissões sem prejudicar o desempenho dos animais é um dos grandes desafios do setor, e os sistemas integrados, consorciados e intensivos vêm se mostrando soluções eficientes para descarbonizar a pecuária”.