Clima no PR: Alerta de Umidade e Calor para o Agronegócio

0
82

Clima e Campo: O Que Esperar de Janeiro de 2026 para o Agronegócio Paranaense

O mês de janeiro é, historicamente, o coração do verão e um período decisivo para o ciclo agrícola no Paraná. Em 2026, as projeções do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) indicam a manutenção da normalidade climatológica: calor intenso e umidade elevada. Embora a ausência de estiagem traga alívio, o setor deve se preparar para a “energia” de um verão tipicamente tropical, marcado por tempestades de fim de tarde e volumes pluviométricos robustos.

O Cenário Meteorológico: Calor e Umidade em Sincronia

Diferente de anos marcados por fenômenos como El Niño ou La Niña extremos, janeiro de 2026 será regido pelas médias históricas. Isso significa o domínio de massas de ar quente e úmido que, ao longo do dia, acumulam energia para se transformar em nuvens cumulonimbus.

De acordo com o meteorologista Reinaldo Kneib, o interior do estado verá o termômetro subir rapidamente, com mínimas já acima dos 20°C no Oeste e Noroeste. Em regiões como Foz do Iguaçu, a média deve ultrapassar os 26°C, enquanto as máximas superarão os 30°C em boa parte do território. Essa combinação eleva a sensação térmica, criando o ambiente perfeito para chuvas rápidas, porém volumosas, que podem atingir entre 175 mm e 225 mm no acumulado mensal na maior parte do estado.

Impactos Diretos no Setor do Agronegócio

A manutenção da média histórica é, em geral, uma notícia positiva, mas exige gestão de risco por parte do produtor. Abaixo, detalhamos os principais impactos previstos:

1. Desenvolvimento das Lavouras de Verão (Soja e Milho):

A ausência de previsão de estiagem é o melhor cenário para o enchimento de grãos. Contudo, o excesso de umidade e a alta temperatura aumentam a pressão fitossanitária. O ambiente “abafado” é ideal para a proliferação de fungos (como a ferrugem asiática) e pragas. O produtor precisará de janelas de tempo seco para a aplicação eficiente de defensivos, o que pode ser um desafio dado que as chuvas ocorrerão diariamente entre a tarde e a noite.

2. Riscos de Intempéries Severas:

O Simepar alerta para a ocorrência de chuvas que podem chegar a 50 mm em curtos intervalos, acompanhadas de raios e, eventualmente, granizo. Para as culturas em estágio avançado, o granizo e as rajadas de vento representam um risco de perda mecânica direta. Além disso, enxurradas em terrenos sem a devida cobertura de solo podem causar erosão e perda de nutrientes.

3. Manejo e Logística:

No Litoral e nas regiões serranas, os volumes podem ultrapassar os 300 mm. Para a logística do agro, isso acende um alerta para o escoamento da safra em direção ao Porto de Paranaguá. Chuvas intensas em trechos como a BR-277 aumentam o risco de deslizamentos e lentidão, impactando o custo do frete e o cumprimento de cronogramas de exportação.

4. Pecuária e Conforto Térmico:

As temperaturas mínimas elevadas e a alta umidade impactam diretamente o gado de leite e de corte. O estresse térmico pode reduzir a produtividade leiteira e o ganho de peso. O manejo precisará focar em sombreamento e ventilação adequada para mitigar o desconforto causado pelo “abafamento” previsto para este janeiro.