A safra de trigo 2025/26 da Argentina caminha para entrar na história como a maior já registrada no país. De acordo com atualização divulgada pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a produção estimada foi revisada para 27,8 milhões de toneladas, acima da projeção anterior de 27,1 milhões. O avanço reflete a confirmação de elevados níveis de produtividade à medida que a colheita se aproxima do fim.
Com a maior parte das áreas já colhidas, os números passaram a incorporar dados concretos de campo, consolidando um desempenho acima do esperado inclusive nas lavouras colhidas mais tardiamente — fase que, tradicionalmente, costuma apresentar maiores riscos de perdas. O resultado reforça o caráter excepcional da temporada 2025/26 para o trigo argentino.

As condições climáticas tiveram papel decisivo nesse desempenho. Chuvas bem distribuídas ao longo das etapas críticas do desenvolvimento das plantas, combinadas com períodos mais secos durante a colheita, favoreceram tanto o potencial produtivo quanto a eficiência das operações no campo. Em diversas regiões produtoras, os rendimentos por hectare superaram não apenas a média histórica, mas também as previsões feitas no início do ciclo.
Caso a estimativa se confirme ao encerramento oficial da colheita, a Argentina alcançará um novo patamar produtivo no trigo, com reflexos diretos sobre o abastecimento regional, o comércio internacional e a competitividade do país no mercado global de grãos. O volume elevado amplia de forma significativa o excedente exportável e consolida a liderança argentina como principal fornecedor de trigo da América do Sul.
O Brasil, principal destino do trigo argentino, acompanha de perto o avanço da safra. A expectativa é de impactos relevantes sobre preços, logística e o planejamento de compras da indústria moageira, além da atenção aos parâmetros de qualidade industrial do grão, como teor de proteína e força do glúten, fundamentais para o processamento.
Os números do comércio bilateral reforçam essa importância. Em 2024, o Brasil importou da Argentina 4,49 milhões de toneladas de trigo e derivados — incluindo grãos, farelo, amido e glúten — movimentando US$ 1,17 bilhão. Já em 2025, até o mês de novembro, as importações somaram 5,1 milhões de toneladas, com desembolso de US$ 1,23 bilhão. No total, o gasto brasileiro com importações de trigo entre janeiro e novembro deste ano alcançou US$ 1,59 bilhão, evidenciando a relevância estratégica do cereal argentino para o mercado nacional.








