Chuvas devem aliviar calor intenso no Paraná na virada do ano, aponta Simepar
Após uma sequência de dias marcados por calor extremo, o Paraná começa a sentir os efeitos de uma mudança no tempo justamente na virada do ano. Segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), o avanço das chuvas deve trazer alívio térmico e encerrar um período prolongado de temperaturas muito acima da média em praticamente todo o Estado.
Nas regiões dos Campos Gerais, Leste e Litoral, os termômetros ficaram por quase uma semana registrando marcas superiores em mais de cinco graus à média climatológica. Em outras áreas do Paraná, o calor intenso também predominou, acompanhado de baixos volumes de chuva, o que agravou a sensação de abafamento.
A mudança no padrão atmosférico já começou a ser observada nesta segunda-feira (29), com o aumento da umidade combinado ao deslocamento de um sistema frontal pelo oceano e à atuação de uma área de baixa pressão sobre o continente. Esse cenário favoreceu a ocorrência de chuvas mais expressivas em algumas cidades. Durante a madrugada, Foz do Iguaçu e São Miguel do Iguaçu acumularam mais de 50 mm de precipitação. Em municípios como Jacarezinho, Cerro Azul, Capanema e Cambará, os volumes passaram pouco dos 10 mm até o início da manhã.
De acordo com o meteorologista Lizandro Jacóbsen, do Simepar, o calor ainda persiste em parte do Estado, especialmente no período da tarde, mas as chuvas passam a ter papel importante no refresco das temperaturas. Ele alerta, no entanto, que essas precipitações podem ocorrer de forma intensa e localizada, com pancadas fortes, descargas elétricas frequentes e rajadas de vento, capazes de causar transtornos pontuais.
A partir desta terça-feira, uma alteração na direção dos ventos em níveis mais baixos e médios da atmosfera deve tornar a chuva mais frequente no Paraná. O ar seco que vinha predominando, especialmente do Sudeste do Brasil, começa a ser substituído por uma massa de ar mais quente e úmida, vinda de países vizinhos. Entre terça e quarta-feira, esse fluxo favorece a formação de nuvens carregadas e eleva o risco de temporais em diversas regiões. A tendência é que, no primeiro dia de 2026, a instabilidade seja mais persistente, principalmente entre o Centro-Leste e o Litoral.
Mesmo com o tempo ainda abafado no início da semana, os primeiros dias de janeiro prometem temperaturas mais amenas. As máximas devem ficar abaixo dos 30°C na maior parte dos municípios. Em Curitiba, por exemplo, os termômetros podem se aproximar dos 30°C nesta segunda-feira, mas não devem ultrapassar 28°C na terça, com máximas em torno de 26°C nos dias 2 e 3 de janeiro. No Litoral, Antonina ainda registra calor próximo dos 30°C até quinta-feira (1º), mas na sexta e no sábado as máximas caem para cerca de 25°C.
O período de calor intenso teve início por volta de 21 de dezembro e foi especialmente severo em áreas como Campos Gerais, Leste e Litoral. Além das temperaturas elevadas e persistentes, a chuva foi escassa. Curitiba, Fazenda Rio Grande, Irati e Lapa, por exemplo, ficaram sete dias consecutivos com temperaturas cerca de cinco graus acima da média. Pinhais registrou desvio ainda maior, com seis graus acima do normal. Nessas cidades, os volumes de chuva nos últimos oito dias não chegaram a 30 mm. Em Irati, o acumulado desde 20 de dezembro foi de apenas 1,4 mm.
No Litoral, as estações de Antonina e Guaraqueçaba também enfrentaram uma sequência de seis dias com temperaturas entre seis e dez graus acima da média. Os acumulados de chuva ficaram abaixo de 21 mm, e a elevada umidade intensificou a sensação térmica, que superou os 40°C durante boa parte da última semana.
O calor extremo também quebrou recordes em diversas localidades. Nos últimos dias, várias estações meteorológicas registraram as maiores temperaturas de 2025. Houve marcas expressivas em municípios como Pinhais, São Mateus do Sul, Telêmaco Borba, Guaraqueçaba, Cerro Azul e Morretes. O destaque negativo ficou para Guaraqueçaba, que chegou a 40,4°C, a segunda maior temperatura do Estado em 2025, ficando atrás apenas dos 42,5°C registrados em Capanema no final de abril.
Com a volta das chuvas e a queda gradual das temperaturas, a expectativa é de um início de 2026 mais equilibrado do ponto de vista climático, embora o Simepar recomende atenção aos alertas de temporais e aos impactos causados pelas mudanças rápidas no tempo.








