Cooperativismo: a força do agro paranaense

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Cooperativismo: a força do agro paranaense

Cooperativismo no Paraná: força econômica, inclusão social e desenvolvimento regional em 2025

O cooperativismo segue como um dos pilares mais sólidos do agronegócio paranaense e, em 2025, reafirma seu papel estratégico na geração de renda, organização da produção e fortalecimento da agricultura familiar. Com uma vocação histórica para a produção de alimentos, o Paraná se consolidou como um dos principais celeiros do Brasil, tendo o cooperativismo como elo fundamental entre o campo, a indústria e o mercado consumidor.

Cooperativismo: a força do agro paranaense

 

Atualmente, o agronegócio responde por cerca de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, reflexo direto da eficiência produtiva e do modelo cooperativista adotado em larga escala. Mesmo ocupando apenas 2,3% do território nacional, o Paraná permanece entre os maiores produtores de grãos do país, com safras que ultrapassam 40 milhões de toneladas, impulsionadas principalmente por soja, milho, trigo e feijão. O estado também lidera a produção nacional de frangos, cevada e trigo, além de ocupar posições de destaque na suinocultura, pecuária leiteira, mandioca, frutas e café.

No cenário internacional, o Paraná segue como um dos três maiores exportadores do agronegócio brasileiro, com vendas externas que superam US$ 15 bilhões anuais, alcançando mais de 100 países. Esse desempenho é fortemente sustentado pelas cooperativas agropecuárias, responsáveis por cerca de 60% de toda a produção estadual.

Agricultura familiar: desafios e caminhos para a sustentabilidade

A agricultura familiar tem peso decisivo nesse contexto. Em 2025, os agricultores familiares continuam representando aproximadamente 28% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná, sendo maioria absoluta em diversas cadeias produtivas. No entanto, os desafios estruturais persistem: cerca de 42% dos estabelecimentos rurais possuem áreas inferiores a 10 hectares, o que dificulta a viabilidade econômica quando baseada em atividades de baixo valor agregado.

Além disso, mais da metade dessas propriedades registra renda média mensal inferior a dois salários mínimos, limitando investimentos, inovação e sucessão familiar no campo. Diante dessa realidade, a organização coletiva se mostra cada vez mais essencial.

A agroindustrialização, aliada ao fortalecimento das cooperativas da agricultura familiar, surge como uma estratégia eficiente para ampliar renda, agregar valor à produção, reduzir perdas e garantir oferta contínua de alimentos. Produtos como lácteos, hortifrutigranjeiros, panificados, conservas, doces e vegetais minimamente processados têm ampliado a presença da agricultura familiar nos mercados institucionais, regionais e privados.

Dois momentos do cooperativismo paranaense

O cooperativismo agropecuário no Paraná apresenta dois grandes marcos históricos. O primeiro se refere às cooperativas formadas entre as décadas de 1970 e 1980, hoje consolidadas como médias e grandes organizações. São cerca de 60 cooperativas, voltadas principalmente às cadeias de grãos e proteínas animais, com faturamento anual superior a R$ 160 bilhões e quase 200 mil cooperados.

O segundo momento ganha força a partir do final dos anos 1990, com o surgimento de cooperativas da agricultura familiar, criadas para superar barreiras econômicas, sociais e institucionais. Atualmente, o Paraná conta com aproximadamente 180 cooperativas desse segmento, reunindo cerca de 34 mil agricultores familiares, com faturamento anual próximo a R$ 700 milhões.

Apesar dos avanços, os dados revelam desafios importantes: a média é de apenas 200 cooperados por cooperativa, com forte concentração masculina (mais de 75%) e baixa participação de jovens, que representam menos de 10% do quadro social. Esses números reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à sucessão rural, inclusão produtiva e igualdade de gênero no cooperativismo.

Assistência técnica e políticas públicas como alicerce

A presença da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) continua sendo um fator determinante para o sucesso cooperativo. Agricultores familiares que recebem acompanhamento técnico apresentam índices de cooperação muito superiores aos que não recebem, demonstrando que conhecimento, gestão e organização caminham juntos.

Nesse contexto, a Política Estadual de Apoio ao Cooperativismo, instituída pela Lei nº 17.142/2012, segue sendo um instrumento fundamental para fortalecer as cooperativas paranaenses, promovendo integração entre o poder público, iniciativa privada e organizações representativas.

Representatividade e futuro do cooperativismo

O cooperativismo agropecuário paranaense é representado principalmente pelo Sistema OCEPAR, que congrega cooperativas agropecuárias e de crédito, como Sicredi, Sicoob e Uniprime. Paralelamente, a UNICAFES/PR e a Central de Cooperativas da Reforma Agrária (CCA) exercem papel essencial na organização da agricultura familiar, economia solidária e assentamentos da reforma agrária.

Em 2025, o cooperativismo do Paraná se projeta não apenas como modelo econômico, mas como uma estratégia de desenvolvimento regional sustentável, capaz de gerar oportunidades, fortalecer comunidades e garantir alimentos de qualidade à população. Mais do que produzir, cooperar é construir futuro.

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Everaldo Mello (MTb 13.655/PR)
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 0013655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 40 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.