Risco climático e a produção de alface no Brasil

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A produção de alface no Brasil passa a contar com uma importante ferramenta de apoio à pesquisa e à tomada de decisão diante dos efeitos das mudanças climáticas. Trata-se dos mapas de risco climático, um conjunto de ativos cartográficos desenvolvidos a partir de estudos avançados em inteligência climática, com foco especial no cultivo de hortaliças. Esses mapas estão disponíveis na plataforma Geoinfo, sistema de gestão de informações geoespaciais da Embrapa.

Foto: Pacheco, Carlos

Mais do que simples representações visuais, os mapas devem ser interpretados como instrumentos estratégicos para orientar novas pesquisas e ações práticas frente à crise climática. Eles evidenciam a vulnerabilidade climática e os impactos da severidade térmica sobre o cultivo da alface em todo o território nacional, considerando diferentes cenários de aquecimento global.

A elaboração dos mapas utilizou o software de código aberto QGIS, versão 3.42.3, aliado ao modelo climático regional ETA-HadGEM2-ES, amplamente reconhecido por sua aplicação no contexto brasileiro. Para a construção dos cenários, foram utilizadas imagens no formato GeoTIFF obtidas no portal de Projeções Climáticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), contemplando dados históricos e projeções futuras nos cenários RCP 4.5 e RCP 8.5. As análises incluem estimativas de temperatura média e máxima com horizonte temporal até o ano de 2100.

Alface BRS Mediterrânea, imagem Embrapa.

O estudo parte do pressuposto de que a maior parte da produção de alface no Brasil ocorre em sistemas convencionais, em campo aberto, com uso de fertilização mineral e cultivo em canteiros diretamente no solo, sem proteção contra intempéries. A partir dessa realidade, os mapas apresentam, por meio de uma escala de cores, os diferentes níveis de severidade térmica ao longo das estações do ano e em três recortes temporais: curto prazo (até 2041), médio prazo (2041 a 2070) e longo prazo (2071 a 2100).

Na representação visual, as áreas destacadas em tons de vermelho indicam maior vulnerabilidade climática para o cultivo da alface, enquanto as regiões em azul apontam condições relativamente mais favoráveis. Essa leitura permite identificar, de forma clara, quais regiões e períodos do ano tendem a apresentar maiores riscos à produção nos sistemas atualmente adotados.

Os mapas de risco climático têm potencial de uso amplo e estratégico. Para produtores rurais e extensionistas, a ferramenta auxilia na definição das melhores regiões e épocas de plantio. Para órgãos governamentais, contribui na formulação de políticas públicas voltadas à adaptação da agricultura às mudanças climáticas. Já para instituições financeiras, os dados oferecem subsídios técnicos para a avaliação de riscos associados ao crédito agrícola, promovendo decisões mais seguras e alinhadas ao cenário climático futuro.

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Everaldo Mello (MTb 13.655/PR)
Everaldo Mello é jornalista registrado sob o nº 0013655/PR, natural de Palmas, Paraná, com 40 anos de idade. Atua na área da comunicação com foco no agronegócio, destacando-se pela seriedade, responsabilidade e compromisso com a informação de qualidade. É idealizador e responsável pelo Agro+ Podcast, projeto voltado à valorização do setor agro, levando conteúdo relevante, entrevistas e notícias que conectam produtores, empresas e profissionais do campo. Ao longo de sua trajetória, construiu credibilidade e reconhecimento por sua atuação ética e pela dedicação em fortalecer a comunicação regional e o agro brasileiro.